quinta-feira, 12 de maio de 2011

A desilusão que Jesus nos traz...*

"LEMBRA-TE do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento" Ec12.1


Existem certas coisas em nossas vidas que são inevitáveis: um compromisso que esquecemos, uma palavra que não honramos, planos que não se realizam, surpresas que nos emocionam...e a lista é longa. Também existem aquelas onde temos um certo grau de controle: um planejamento financeiro, um curso que fazemos, uma viagem nas férias...e a lista também é longa.

Mas dentro das inevitáveis, existem aquelas que gostaríamos de riscar da lista. Elas são estranhas, indesejáveis e, por mais que nos esforcemos em ignorá-las, sua presença parece rodear como um intruso nossas vidas. O grande problemas é que não se trata de um intruso, mas de um companheiro de jornada. Seu nome? O dia mau.

Ícone de Salomão em monastério russo
O texto acima citado, escrito por Salomão, rei de Israel entre os anos 971 a.C. e 931 a.C. traz uma reflexão importantíssima sobre este dia presente nos calendários de todos os homens. O livro de Eclesiastes (Kohelet - קהלת) é o produto da percepção deste rei já ao final de sua vida, revelando muitas de suas impressões sobre o cotidiano da vida humana, suas desilusões e a incapacidade de lidar com o inesperado, com aquilo que não temos o controle. E o versículo começa apontando para uma época específica da vida de todos nós: a juventude. Veja que Salomão, ao contrário do que pode se entender em uma leitura superficial, não está falando com a mocidade de seu reino. Mas ele aponta uma época comum a todos nós. Uma época em que pensamos na jovialidade como uma companheira para toda vida, onde podemos dormir poucas horas e enfrentar o rigor do dia seguinte cheios de energia. Uma época onde os sonhos e planos povoam nossas mentes, fazendo-nos imaginar como estaremos dali a 20, 30 anos. Uma época onde a velhice parece distante. Dores nas costas? Artrite? Falhas na memória? Nem pensar!

Isso é coisa de terceira idade!


Mas o tempo passa....para todos! Por mais que tenhamos a ilusão, no frescor da juventude, de que sempre seremos assim, os dias passam...e eles inevitavelmente trarão o mal consigo – coisas inesperadas que teremos de enfrentar.Salomão usa aqui uma palavra que traz a idéia de sermos " atingidos" pelo dia mau. Enfrentamos aqui a realidade de que nossos dias de alegria, felicidade têm prazo. Existem dias bons, de alegria e contentamento...mas existem os maus dias...

Qual o sentimento descrito ali? Não tenho neles contentamento...


Isso me faz lembrar das palavras de Jesus, e de como Ele nos leva a encarar a vida de maneira sóbria e real, não como um utopia. Observe Suas palavras:



Não andeis solícitos, pois, pelo dia de amanhã, porque amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. Mt 6.34



Jesus ensina a todos nós, independente de posição social, financeira, cultural, a compreender que temos todos a mesma medida disponível de tempo. Creio que não conseguimos lidar com mais do que 24h por dia; de nada adianta pré-ocuparmos com o dia do amanhã, pois não sabemos se estaremos vivos nele...e nem com o ontem, que já passou e não podemos vivê-lo de novo? O que nos sobra? O hoje...

E Jesus continua afirmando que basta a cada dia o seu mal. Sim, bem gostaríamos que Ele tivesse dito bem, mas Ele disse mal. Um dia que não respeita como estamos, onde estamos e com quem estamos. Ele simplesmente nos atinge com um tsunami e desordena nosso interior.

As certezas já não são mais....o equilíbrio já não é mais... e não sabemos o que fazer...
Por isso, aqui Jesus é realista conosco ao nos desiludir a respeito do cotidiano. E porque falar aqui em desilusão?

Por que se separarmos a palavra teremos o prefixo des- ligado à palavra ilusão.
Des é um prefixo que significa “Negação, ação contrária, separação” , e ilusão refere-se ao que foi abandonado. Ou seja, que ilusão deixamos para trás? A utopia de uma vida sem problemas e adversidades. Jesus nos traz uma vida real, e não uma filosofia utópica, de viver entre as nuvens...

Em outras palavras, Jesus nos traz a realidade da vida humana, seus altos e baixos. É importante ressaltar que o fato de ser cristão não é um passaporte para a felicidade, longe de adversidades e problemas.  O foco trazido por Jesus é o hoje – aquilo que temos em mãos. O passado não podemos tocar, assim como o amanhã. Devemos planejar, claro, mas nada além disso. Só amanhã saberemos o que vai nos acontecer...

Mas como enfrentar momentos assim? Onde colocar a âncora de nossa existência? 

Creio que aqui está a resposta que tanto precisamos:

"Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não passsarão" Mt 24.35

Mesmo aquilo que parece eterno, os céu que nos cerca e a terra que pisamos todos os dias, um dia não estarão mais aqui. Estes elementos vão passar...

Mas as palavras de Jesus não...estas permanecem para sempre...

E por isso, podemos ter a certeza de que "...que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo". Fp 1.6

Graças a Deus! Nos dias mais sobrios e escuros de nossas vidas, quando a parece distante e há escuridão à nossa volta, Ele continua trabalhando...e tudo, enfim, irá redundar em glória para Ele!

Crendo na esperança de Sua Palavra imutável, 

Daniel 



* baseado num texto do blog do meu amigo Eric Jóia

terça-feira, 22 de março de 2011

A tragédia do Japão e a tragédia de todos nós

"Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não passsarão" Mt 24.35

Talvez não tenhamos a dimensão do alcance e profundidade das palavras de Jesus. Mas em momentos como esses, onde o mundo presencia uma nação sendo arrasada pela força da natureza, todos nós enfrentamos o desafio, ainda que não queiramos encará-lo de frente, da brevidade e fragilidade da vida humana.

Uma palavra tem sido manchete nos jornais do mundo inteiro: tragédia. Qual seu real significado?

Segundo a Wikipédia , Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de τράγος "bode" e ᾠδή "canto") é uma forma de drama, que se caracteriza pela sua seriedade e dignidade, frequentemente envolvendo um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade. 


Dionísio - detalhe de mosaico em Antioquia
Suas origens são obscuras, mas é certamente derivada da rica poética e tradição religiosa da Grécia Antiga. Suas raízes podem ser rastreadas mais especificamente nos ditirambos, os cantos e danças em honra ao deus grego Dionísio (conhecido entre os romanos como Baco). Dizia-se que estas apresentações etilizadas e extáticas foram criadas pelos sátiros, seres meio bodes que cercavam Dionísio em suas orgias, e as palavras gregas τράγος, tragos, (bode) e ᾠδή, odé, (canto) foram combinadas na palavra tragoidia (algo como "canções dos bodes"), da qual a palavra tragédia é derivada. 


Ou seja, ela faz menção ao velho dilema da incapacidade humana de lidar com forças alheias à sua vontade e que tem profunda atuação em sua existência. Como tratar com o que não podemos controlar? Como viver quando aquilo aparentemente inabalável desfaz-se aos nossos pés?

Com o progresso da ciência e do conhecimento, a humanidade tem progredido no conhecimento das forças que regem a natureza. Temos sistemas de alerta contra tsunamis, sensores que detectam o movimento das placas tectônicas e a erupção de vulcões. Olhamos para o céu e procuramos asteróides que possam eventualmente estar em rota de colisão com a Terra. Porém, os fatos mostram que por melhor que estejamos preparados, sempre existirá algo além do alcance de toda ciência criada nos últimos anos.

Do mesmo modo, em um nível menor, temos as mesmas dificuldades com o novo, a mudança. Aliás, quem já mudou pelo menos uma vez de endereço sabe como isso é complicado! Achamos em nossos armários coisas há muito guardadas que nem sabíamos mais existir sobre a Terra! Exageros à parte, toda mudança gera um desconforto e nem sempre estamos dispostos a lidar com isso. Por mais que nos esforcemos, temos a tendência (uns em maior grau que outros) de entrar em uma zona de conforto, de adaptar-se ao cenário e ali estabelecermos nossos fundamentos. Para uma mudança, ainda que planejada, é necessário um esforço extra de nossa parte. Se isso já é complicado, equacionar o imprevisto requer de nós a habilidade de lidar com a insegurança e o medo da nova situação.

Interessante pensar que Jesus diz que "...os céus e a terra passarão...". Veja que são elementos comuns a todos e presentes no nosso cotidiano. Pisamos sobre uma terra que cremos ser estável e sabemos do ar que existe à nossa volta. Mas Jesus nos chama a atenção de que estes elementos, ainda que pareçam sólidos e constantes, um dia hão de passar. No caso do Japão, por mais bem preparados que estivessem para um acontecimento assim, houve um espanto pela extensão dos estragos causados. Áreas longe da costa foram atingidas pela força das ondas. Lugares onde se pensava estarem seguros não foram suficientes para livrá-los da tragédia.

Por isso, é preciso encarar o fato de que apenas em um lugar podemos encontrar segurança: em Deus e em Sua Palavra. Diante de um mundo em mutação, de uma sociedade com valores tão efêmeros, de pessoas que hoje estão e amanhã podem não estar mais, no que confiar?

Onde podemos fundamentar a nossa existência?

Preste atenção ao alerta de Jesus. As coisas que aparentemente são estáveis, eternas...podem não ser. Não devemos colocar nossa confiança em posses, saúde, em outras pessoas... só ha um lugar onde verdadeiramente podemos depositar a nossa vida - na Palavra de Deus!

Quero finalizar com um brilhante enunciado de Charles H. Spurgeon :

"Se não podemos crer em Deus quando as circunstâncias parecem ser contra nós, nós não cremos nEle em absoluto"

Daniel

sábado, 8 de janeiro de 2011

Qual a interpretação correta do livro do Apocalipse?


Antes de falar nisto, deixe-me fazer uma consideração sobre parábolas e linguagem simbólica.
Durante o seu ministério, Jesus também falava muito por meio de símbolos – no que chamamos de parábolas. Uma explicação muito comum, mas equivocada sobre o uso de parábolas no ministério de Jesus, era que as parábolas supostamente facilitariam o entendimento da população que ouvia Jesus, já que transmitiam os ensinamentos por meio de comparações baseadas na vida comum de seus ouvintes. Tal explicação é incoerente com o ensino do próprio Jesus sobre o tema:
E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem.”  (Mt 13:10-13)
Jesus não usava parábolas pra facilitar a compreensão das verdades espirituais, mas para dificultar. Para compreender uma parábola, era preciso muita reflexão. Uma pessoa que verdadeiramente buscasse a Deus iria pensar, refletir, buscar e perguntar até que ele consiga encontrar o real sentido do que Cristo ensinava. Tendo encontrado o significado, ele irá refletir sobre o ele até que ele consiga compreender o máximo possível sobre Deus mediante a nova informação adquirida. O que Jesus disse é que ele queria que o sentido da parábola tivesse aberto somente para aqueles que realmente tivessem o desejo de compreendê-las. Isso requer dedicação e esforço.
É devida justamente a sua natureza simbólica que não existe unanimidade na interpretação do Apocalipse, ainda que em meio aos melhores estudiosos. A dificuldade em compreender este livro é que a sua mensagem é quase inteiramente transmitida em símbolos. O famoso escritor Ambrose Bierce comentou com uma dose de humor sobre este livro, dizendo que João escondeu tudo o que sabia e que quem nos dá a revelação são comentaristas que nada sabem. Não é a toa que um conhecido costuma dizer que “escatologia é terra de ninguém”.
Diferentes linhas de interpretação têm sido defendidas por grandes nomes no Cristianismo por toda a história. O aconselhável é que você se informe sobre as principais correntes de interpretação até chegar a uma conclusão sobre o que acredita ser o mais bíblico. Por que não começar sua pesquisa com os mil anos de Apocalipse 20? Sobre isto, existem três correntes principais de interpretação:
1) Pré-Milenismo: É a corrente que defende que a Segunda Vinda de Jesus acontecerá antes (pré) do período de mil anos de Apocalipse 20. Acreditam que serão mil anos literais e será caracterizado por grande paz e prosperidade na terra devido à presença física de Jesus reinando. Alguns defensores notáveis do Pré-Milenismo: Justino Mártir, Irineu, Charles Spurgeon, John Darby, John McArthur, John Piper, Mark Driscoll, Billy Graham.
2) Amilenismo: É a corrente que defende que os mil anos de Apocalipse 20 não devem ser entendidos literalmente, mas é uma linguagem figurada para falar de toda a História da Igreja da Primeira até a Segunda Vinda de Cristo. Defendem que não devemos esperar nenhum período de paz ou prosperidade terrena como fruto desse Reino, mas que o Reino de Cristo é completamente espiritual, no coração dos cristãos. Alguns defensores notáveis do Amilenismo: Agostinho, Martinho Lutero, Heinrich Bullinger, Abraham Kuyper, Cornelius Van Til, Herman Hanko, R.C Sproul.
3) Pós-Milenismo: É a corrente que defende que os mil anos de Apocalipse 20 não devem ser entendidos literalmente, é uma linguagem figurada para falar de toda a História da Igreja, mas que acreditam que o que devemos esperar para a História da Igreja é a evangelização do mundo inteiro e o completo desenvolvimento social, econômico e cultural do mundo como fruto dessa evangelização. Acreditam que a Grande Comissão será bem sucedida e que a maior parte das pessoas do mundo será convertida. Alguns defensores notáveis do pós-milenismo: Atanásio, João Calvino, John Knox, a maioria dos puritanos, Jonathan Edwards, Kenneth Gentry, Gary DeMar, Gary North, David Chilton.
Não estamos afirmando que todas essas interpretações sejam igualmente corretas, pois a Bíblia sendo perfeita não poderia estar falando mais de uma coisa sobre o mesmo assunto. Estamos falando somente que não há consenso sobre isso; então, o melhor a fazer é estudar todas as opiniões e estudar bastante as Escrituras, com muita oração, para chegar a uma conclusão pessoal sobre qual sistema parece ser o mais bíblico. Para isso, não esqueça que, como a Confissão de Westminster comenta com muita razão, “na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos…” (I, 7).

Extraído do site Voltemos ao Evangelho , reproduzido sob permissão do autor

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ser gente

Shalom a todos!

Deixo com vocês um excelente texto do Igor, e faço dele as minhas palavras sobre o sentimento que tem preenchido meus pensamentos neste início de ano...

Boa leitura! 

É simples... aprendi que os aplausos não querem dizer nada. Aprendi que lisonjas não significam nada. Aprendi que status religioso ou de outra natureza é nulidade, vazio. Aprendi enfim, que se eu quero ser discípulo de Jesus de verdade, tenho que me abster dos grandes públicos, da ostentação.

Cansei deste papo do tipo "somos os caras". Cansei da pretensão doentia da afirmação de poder de que "estamos em um movimento revolucionário", chega de triunfalismo!

Meus triunfos verdadeiros não são públicos. Envolvem questões simples. Como por exemplo superar meu egoísmo de não querer ajudar minha esposa na cozinha quando a preguiça tenta me seduzir. Minhas guerras não envolvem "batalhas espirituais imaginárias" de principados e potestades e "atos proféticos" mobilizadores. A coisa é mais simples, ou melhor, mais complexa, envolve compreender Cristo, me alimentar de sua carne e sangue, para vencer a tentação da hipocrisia religiosa.

Não, provavelmente, vocês não me verão envolvido nas grandes mobilizações do mundo gospel, tão pouco, sendo chamado de apóstolo, rabino, bispo ou coisa do gênero. Mas, espero que escutem que sou um bom marido, um bom pai e principalmente um bom amigo. Se ao menos nestas coisa eu conseguir vencer a grande batalha, tenha-me por satisfeito. Entretanto, se um dia eu tiver que falar pra multidões a respeito de Cristo ou de qualquer outra coisa, quem estará lá não será um grande pregador ou acadêmico, será um homem que aprendeu a ser simplesmente gente.

Não quero ser tratado como artefato religioso, como parte do cenário religioso. Jesus me chamou e pronto, isto basta, isto é tudo. Nunca tive dias tão alegres em minha vida, não há um dia que não acordo e encaro os desafios diários em oração e ações de graças. Certamente se minha rotina não for um culto, o culto nunca se integrará a minha rotina.

Minha oração é que Deus continue travando minhas pretensões carnais, que Ele continue freando minhas megalomanias, meu egoísmo e narcisismo, todos estes ídolos que meu coração persiste em fabricar.

Eu não quero ser nada além daquilo que Deus deseja que eu seja.

Igor Miguel 

Texto extraído do blog Pensar, do amigo Igor Miguel 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

...muito dinheiro no bolso, saúde prá dar e vender...

"Adeus ano velho, feliz ano novo...que tudo se realize no ano que vai nascer...muito dinheiro no bolso, saúde prá dar e vender..."

 Quem já ouviu e cantou esta canção popular na virada do ano? Pelo que lembro de meus 35 anos de idade, não conheço música tão popular nesta época...

Todos conhecemos o enredo de fim de ano. A família reunida, a mesa farta, aqueles primos e tios que vemos apenas nesta época. Mesmo quando há algum tipo de desentendimento, este parece dar lugar à tolerância e ao bom convívio. Afinal de contas, é fim de ano! Para muitos, é tempo de colocar aquela lentilha na carteira (só para garantir que nunca fique vazia), vestir-se de branco (ah, a paz...) e, claro, se estiver no litoral, não custa nada molhar o pé e dar sete pulos em sete ondas...

Bom, crendiçes populares à parte (e há um monte delas por aí), a música de fim de ano, assim como as famigeradas vinhetas da Globo (e o Roberto Carlos especial) fazem parte da "atmosfera" criada e esperada por todos. Porém, se deixarmos toda isto de lado, podemos perceber algo comum a todos nós? O que há de poderoso nesta época do ano, onde os sorrisos parecem mais sinceros e as amizades tão verdadeiras?

Esperança!

De um amanhã melhor, de poder sonhar novamente, de cumprir de uma vez por todas aquela dieta... (lembra-se? Sim, aquela mesmo...), de renovar as promessas... de finalmente terminar o curso (ou acabá-lo), e por aí vai. Resumindo, os sentimentos comuns a todos realmente parecem se encaixar na canção.

Mas será mesmo? Há algo de verdade nisso, ou falta uma peça no quebra-cabeça?

Obviamente, todos esperamos um ano com mais recursos, não só financeiros mas também pessoais (a saúde, claro). Mas o que falta? Por quê entra ano, sai ano, e as coisas parecem não sair do lugar?

Observe este interessante texto escrito há 2.000 anos:

"Amado, desejo que em tudo te vá bem (sejas próspero) e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma. (assim como a tua alma está em prosperidade.) Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade" 3 Jo 2,3 (grifo nosso)

Leia novamente com atenção o texto de João. Viu algo semelhante com a canção de fim de ano? É citado aqui a prosperidade e a saúde. E diferente do que é cantado por aí, ambas estão profundamente ligadas a outro elemento de nossas vidas: a alma!

João usa aqui a palavra psiqué (ψυχή) que significa, segundo Strongs, "o lugar dos sentimentos, desejos, afeições e aversões". Em outras palavras, o modo como a minha personalidade, meu caráter se manifestam exteriormente é a minha alma interagindo com o mundo. Assim, de algum modo, saúde e prosperidade estão ligados ao estado da minha alma. Se ela está bem, equilibrada e com uma visão real do mundo que me cerca, todas as áreas tendem ao equilíbrio - tanto física (saúde) quanto material (a prosperidade).

Seguindo este raciocínio, a prosperidade e a saúde dependem do estado da minha alma. E como a alma, ou o meu interior, pode estar bem? O texto traz a resposta, quando João afirma a conduta que Gaio tinha, como reflexo de seu bem estar: ele andava na verdade!

Portanto, o primeiro passo é conhecer a Verdade. Não uma qualquer, mas encarar a vida sob o crivo da Verdade - a Palavra de Deus revelada ao homem. Em outras palavras, fazer uma leitura de nossa trajetória de vida pela opinião de Deus acerca dos fatos. E não há outro meio de se conhecer a vontade do Criador senão pela Sua Palavra. Sim, é preciso sinceridade e honestidade consigo mesmo em encarar nosso "eu" nesse espelho, mas é necessário. Uma vida honesta é parte do caminho ao sucesso.

Honestidade em ver-se como realmente somos, Assumir a culpa pelos fracassos, pela incapacidade de ouvir o conselho dos mais chegados, e parar de culpar a todos e a Deus pelas mazelas da vida. Ninguém está isento dos contratempos - precisamos colocar nossas vidas nos trilhos da Verdade e por ela andar.

Andar não como se conhecesse uma nova filosofia de vida, mas de fazer desta Verdade o nosso modo de vida!


Fica a dica: que tal começarmos 2011 diferentes? Sendo sinceros conosco mesmos (e não com o que os outros acham ou esperam de nós...), conhecer e dar valor à opinião de Deus sobre a vida, e fazer desta Verdade nossa companheira de caminhada?

Creio que assim, muito além de algo estacionado apenas nesta época, a esperança será companheira na estrada da vida - neste ano e nos próximos...

Um fim de ano abençoados a todos, na Verdade,

Daniel




sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A escolha de Noé

“E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha”. Gn 9.20

A história de Noé é bastante atípica. Imagine-se chamado por Deus a construir um barco, longe do mar, e ser alvo de comentários nada amigáveis por vários anos!

Imagine-se acordando dia após dia e ver-se envolvido em algo que escapa de sua compreensão, pois um dia uma voz do “céu” o ordenou a fazê-lo.

Conhecemos a história…. O tempo passou, a chuva veio, as águas encheram a terra e a morte cercou a Noé por todos os lados. Animais, homens, plantas….a Bíblia afirma que tudo em que havia fôlego de vida expirou, e somente aqueles dentro da arca tiveram uma nova oportunidade.

Este é o ponto: novas oportunidades!

Todos os dias novas oportunidades apresentam-se a nós - basta ter a habilidade de percebê-las. A Bíblia nos mostra que há tempo para todas as coisas, assim como a misericórdia de Deus diariamente se renova. Podemos não notar, mas cada dia que nasce é uma nova oportunidade que vem à nossas mãos, apesar de nem sempre concordarmos com isso.

Achamos que é apenas mais um dia comum, ordinário.

Em outras ocasiões, pensamos que não há escolha, que tudo o que acontece está pré-determinado. Que não temos poder algum de mudar as circunstâncias.

Mas esta não é a verdade!

Veja: as águas haviam baixado, e Noé tinha duas opções ao sair da Arca. Ou ele enterrava os mortos, ou plantava uma vinha. O texto bíblico nos mostra a escolha que ele fez.
Podemos aprender aqui o conceito de que, todos os dias, ou enterramos os mortos, ou plantamos algo novo. Por exemplo, podemos ocupar nossa mente, emoções e forças em algo morto, que não traz mais vida. Algo que não tem nenhuma utilidade ou não traz beneficio algum. Podemos nos ocupar com mágoas, ressentimentos… Coisas que ficaram pelo caminho, e que não podem mais voltar. Coisas que roubam o nosso hoje não nos deixam ter esperança no amanhã.

Ou podemos fazer como Noé: plantar algo novo. Um novo projeto, um novo emprego… Plantar o amor em nosso cônjuge, em nossos filhos… Um novo nível de intimidade com Deus.

Qual tem sido a nossa escolha?

Naquele que é a Videira,

Daniel