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terça-feira, 23 de novembro de 2010
Provérbios: um miniguia para a vida
Li um excelente texto no blog iprodigo.com e compartilho aqui com vocês!
Boa leitura!
Daniel Ben Iossef
Em minha leitura bíblica diária do ano passado, li o capítulo 3 de Provérbios, uma passagem que preguei e estudei muitas vezes. Porém, durante essa leitura, percebi que, dos versos 3 a 12, temos todos os temas do resto do livro, e, portanto, um miniguia para uma vida de fidelidade. Existem cinco coisas que constituem uma vida sábia e piedosa. Elas funcionam tanto quanto meios para tornarmo-nos sábios e santos, quanto como sinais de que estamos crescendo nesta vida:
1. Coloque a mais profunda confiança de seu coração em Deus e em sua graça. Todos os dias lembre a si mesmo do amor incondicional e pactual de Deus por você. Não coloque suas esperanças em ídolos ou em seu próprio desempenho.
“Que o amor e a fidelidade jamais o abandonem; prenda-os ao redor do seu pescoço, escreva-os na tábua do seu coração. Então você terá o favor de Deus e dos homens, e boa reputação. Confie no Senhor de todo o seu coração.” (Provérbios 3.3-5a)
2. Submeta toda sua mente à Escritura. Não pense que você sabe mais que a Palavra de Deus. Coloque-a em prática em todas as áreas da vida. Torne-se uma pessoa sob autoridade.
“Não se apóie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.” (Provérbios 3.5b-6)
3. Seja humilde e ensinável em relação aos outros. Seja perdoador e compreensivo quando você desejar criticá-los; esteja pronto a aprender dos outros quando eles vierem criticar você.
“Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos.” (Provérbios 3.7,8)
4. Seja generoso com todas as suas posses, e apaixonado pela justiça. Compartilhe seu tempo, talento e tesouros com aqueles que têm menos.
“Honre o Senhor com todos os seus recursos e com os primeiros frutos de todas as suas plantações; os seus celeiros ficarão plenamente cheios, e os seus barris transbordarão de vinho.” (Provérbios 3.9,10)
5. Aceite e aprenda a partir de dificuldades e sofrimento. Por meio do Evangelho, reconheça-as não como castigo, mas como uma maneira de te aperfeiçoar.
“Meu filho,não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama,assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem.” (Provérbios 3.11,12)
Enquanto meditava nesses cinco elementos – firmar-se em sua graça, obedecer e deleitar-se em sua Palavra, humilhar-se diante dos outros, sacrificar-se generosamente por nosso próximo, e perseverar nas provações – pensava em Jesus. O Novo Testamento nos conta que a “sabedoria divina” personificada do Antigo Testamento é, na realidade, Jesus (Mt 11.19). E eu percebi que: a) ele mostrou a fidelidade e confiança definitivas a Deus e a nós ao ir à cruz, b) ele era moldado e estava saturado pela Escritura, c) ele era manso e humilde de coração (Mt 11.28-30), d) ele, embora rico, se fez pobre por nós, e) ele aceitou seu sofrimento por nós, sem reclamar. Somente cresceremos nessas cinco áreas se soubermos que fomos salvos por uma graça valiosa. Isso te guarda dos ídolos, da autossuficiência e do orgulho, do egoísmo com suas coisas, e de desmoronar diante de problemas. Jesus é a sabedoria personificada, e crer em seu Evangelho traz essas qualidades à sua vida.
Por algumas semanas, tenho gasto meu tempo orando por essas cinco coisas para minha família e para os líderes de minha igreja. Não existe melhor maneira de instilar essas grandes coisas em seu próprio coração que orar intensamente por elas nas vidas daqueles a quem você ama.
Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | Texto original aqui
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Crescendo na adversidade
“E chamou José o nome do primogênito Manassés, porque disse: Deus me fez esquecer de todo meu trabalho, e de toda a casa de meu pai. E o nome do segundo chamou Efraim, porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição”. Gn 41.51,52
Uma das coisas que deixam o homem inquieto é deparar-se com as adversidades e vicissitudes da vida. Algo que mexe profundamente com as emoções, com aquilo que consideramos inabalável, com todas as “certezas” que possuímos. Quantas vezes revemos nossos conceitos e nossa percepção daquilo que consideramos como real? Quantas vezes situações e práticas estabelecidas em anos acabam por ruir em questão de minutos?
Fazendo um retrospecto da vida de José, vimos a traição e rejeição sofrida por ele da parte de irmãos, sendo vendido e levado por uma caravana “casualmente” ao Egito. Lá, ele é vendido e acaba por servir a Potifar, onde prospera na administração dos recursos colocados em suas mãos. Entretanto, a esposa de Potifar o assedia, e como José seguidamente recusa suas investidas, ele recebe uma acusação falsa resultando em acusação e prisão. Mais tarde, ele interpreta o sonho de dois dos servos de faraó que haviam sido mandados para lá, e os sonhos acabam por se concretizar, onde um deles tem sua posição restituída pelo regente. A princípio esquecido pelo mesmo, é relembrado mais tarde quando Faraó tem um sonho que se mostra impossível de ser interpretado. José, buscando o auxílio de Deus, recebe a revelação e a traz a Faraó, recebendo dele seu novo encargo: vice-governador do Egito.
Algumas características de seu caráter nos chamam a atenção: José se mostra temente a Deus; honrava seus pais, obedecendo-os como no caso da busca pelos irmãos. Além disso, demonstra domínio próprio, controlando suas paixões e, mesmo na cadeia, sua honestidade e cuidado com o próximo o levam a receber um voto de confiança do zelador da prisão. Por último, ele não deixou se envolver pela prosperidade seja na casa de Potifar ou no cárcere.
Apesar de tudo que sofreu, ele não escolheu vingar-se de seus irmãos quando os tinha em suas mãos, mas os abençoou. As adversidades serviram para fazê-lo chegar mais perto do Senhor. De alguma forma, seus sentimentos foram compreendidos a partir de uma perspectiva divina, possibilitando que a cura em suas emoções pudesse ser operada. Ele mesmo afirma a seus irmãos que “...vós pensastes mal de mim, Deus porém pensou em bem, para fazer como neste dia, para fazer viver muita gente”(Gn 50.20).
Impressionante como o correto entendimento das circunstâncias a partir da perspectiva divina trazem a cura às emoções!
Podemos ver aqui como sua vida tipifica Jesus: ele era amado do pai, odiado pelos seus irmãos. Fez provisão para as nações; recebeu uma noiva gentia, e reconciliou-se com seus irmãos, restaurando-os. Finalmente, teve sua posição exaltada e estabelecida pelo Rei.
No versículo 38, vemos o próprio Faraó reconhecendo a vida de Deus em José. Seu testemunho de vida era tão forte que a intimidade com o Senhor naturalmente transbordava aos olhos daqueles próximos a ele. Da mesma forma, as pessoas próximas a nós devem ver em nosso testemunho de vida o fruto de uma vida de intimidade com Deus.
Vale ressaltar, quando lemos o texto citado no início, os nomes dos filhos de José: Esquecimento e Crescimento. Num primeiro momento, Deus limpa o seu coração de toda mágoa e sentimentos de vingança que de algum modo poderiam ter ali florescido. Da mesma forma, as Escrituras nos instruem a “... esquecer das coisas que para trás ficam...” (Fp 3.13). Em algum momento de nossa caminhada, devemos nos despojar do passado, fatos ou jugos que podem atrasar ou mesmo impedir que sigamos adiante.
Seu segundo filho, Crescimento, revela a direção que o Senhor deu à sua vida. Interessante observar o local onde seus filhos nasceram: no Egito, ou nas palavras dele mesmo, na terra da minha aflição. Não em Canaã, na terra onde mana leite e mel, mas no meio das dificuldades e adversidades que ele enfrentou. Ali seus filhos nasceram, e foram um marco em sua trajetória.
Assim também nós precisamos “dar a luz” a Manassés e Efraim. Quando superamos as tragédias, as forças contrárias que nos empurram para a derrota devemos fazer um esforço, assim como uma mãe prestes a dar a luz e, mesmo em meio a dores, deixar que o Esquecimento e o Crescimento nasçam em nossas vidas.
Não se trata de um passe de mágica, ou algo que naturalmente podemos fazer com que aconteça. Demanda um esforço próprio de transpor no dia a dia nossas limitações, dando inicio a uma nova etapa em nossa existência. Mesmo que ainda não estejamos vivendo a promessa, podemos hoje mesmo manifestar a vida do Reino e crescer mesmo nas adversidades.
Esquecendo-me das coisas que para trás ficam,
Daniel Ben Iossef
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Crescendo no propósito
“Por esta razão, nós também, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” Cl 1.9-10 (grifo nosso)
O quanto você conhece da vontade de Deus?
Interessante observar o pedido incessante de Paulo pelos seus liderados. Ele não pediu por recursos, posses ou qualquer outra coisa semelhante. Seu pedido era que eles tivessem o pleno conhecimento da vontade de Deus, e assim pudessem viver de forma a frutificar e crescer no conhecimento do propósito que havia para suas vidas. Em outras palavras, o foco de suas vidas deveria estar no plano do Criador para eles; outras questões como moradia, vida profissional, ainda que importantes, deveriam estar em segundo plano. Afinal de contas, se somos embaixadores do Reino em missão de campo, o próprio Rei trará a nós todos os recursos necessários para que Sua obra seja estabelecida.
Além disso, o conhecimento da vontade de Deus traz como resultado prático na vida do homem duas coisas fundamentais: sabedoria e inteligência espiritual. O termo sabedoria (do grego Sophia - σοφια) traduz o conceito de “sabedoria de Deus que se evidencia no planejamento e execução dos planos dEle; conhecimento prático nos requisitos de uma vida cristã madura” (Strongs). Já o termo inteligência espiritual remete à idéia de uma pessoa com plena percepção da realidade espiritual que a cerca. Como podemos perceber, não se pode vivenciar uma vida cristã madura sem sabedoria e inteligência espiritual, e estas advêm do pleno conhecimento da vontade de Deus.
O texto evidencia que somente então poderemos frutificar de forma plena, em toda boa obra. Não apenas em uma obra, mas em toda! Isso significa que os frutos de nossas mãos serão abundantes em nossa célula, no trabalho, em nossas relações com o próximo e em tudo que fizermos. E à medida que frutificamos, estaremos crescendo no conhecimento de Deus, de Seus planos e propósito para nossas vidas.
Eis aí o grande desafio: responder à pergunta de o quanto conhecemos da vontade de Deus. Pode parecer um questionamento simples, mas ele traz consigo sérias e profundas implicações para todos nós.
Se queremos ver o Reino em nossas vidas, na nossa família, em nossa célula, é preponderante que saibamos esta resposta.
Naquele em quem cumprimos a vontade de Deus,
Daniel Ben Iossef
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Pequeno ensaio sobre salvação... (1)

Shalom a todos!
Este é o primeiro post do ano.... saímos de férias por um tempo (o que foi ótimo), e ao que parece, 2010 será um ano de muito trabalho. A questão toda é fazer com que o mesmo tenha um ótimo rendimento na vivência da praticidade do Evangelho: o amor. Algo prático a ser experimentado no dia a dia, e não mais uma filosofia como tantas por aí...
Bom, pensando em alguns pontos básicos da caminhada, resolvi para um pouco no tema salvação, e de como isso se processa na vida do homem.
Um texto do Rav Shaul é bastante elucidativo para mostrar como isso se processa em nossas vidas:
“Dessa forma, meus queridos amigos, como vocês sempre obedeceram quando eu estava presente, é mais importante que obedeçam agora enquanto estou distante: continuem desenvolvendo sua libertação/salvação com temor e tremor”. Fp 2.12
O que ele quis dizer com desenvolver a libertação, ou salvação?
Esta palavra no grego usada aqui é κατεργαζομαι, que tem o significado de
realizar, executar, conquistar; resolver, i.e., fazer aquilo do qual alguma coisa resulta de coisas: produzir, resultar em; modelar i.e. tornar alguém próprio para algo.
Interessante!
Comumente se pensa que a salvação, ou o processo de redenção do ser humano se resume apenas a uma oração, uma resposta a um apelo e dar o nome na lista de visitantes. Não!
Com certeza, a resposta a um sermão ou uma oração de entrega a Deus fazem parte, mas não se resumem ao que a Palavra fala sobre a salvação.
Mas do que somos salvos, então?
De um sistema maligno, de uma corrente filosófica e cultural que achatam a existência humana e a resume a fatores externos para a realização do eu, da compreensão do sentido da vida. A satisfação da vida humana restringe-se, então, a posse de bens externos (materiais), ou a vivencia de determinados valores sociais (fama, opulência,dinheiro) como fatores indispensáveis a uma "boa vida". O resultado disso, como afirmado pelo autor de Eclesiastes, é "...vaidade de vaidades! Tudo é vaidade...". Quanto mais se tem, maior a necessidade de se obter mais, num círculo vicioso que não tem fim. Isso tem alimentado uma cultura consumista e imediatista, que influencia a percepção das Boas Novas como um "kit fé", como se fosse possível de algum modo adquirir um "Macbênçao" - fazendo com que muitos, após adquirirem a "benção", virem as costas a Deus... sabemos que a porta dos fundos da igreja atual tem estado escancarada, e a sangria deve continuar se um verdadeiro avivamento ético não vir sobre nós!
Portanto, como experimentar a libertação deste sistema maligno? Como ter uma mente livre das influencias destrutivas presentes na cultura moderna?
Atitude!
Viver a redenção oferecida pelo Messias implica em tomar atitudes condizentes com a Palavra. É aprender a viver uma nova realidade, estribada em novos valores e uma nova percepção da realidade. É frutificar em meio ao caos, ser luz em meio à escuridão.
Em suma, uma resposta sincera ao que o Eterno nos fala em Êxodo 6.6,7:
"...Eu sou o Eterno! E vos tirarei de debaixo das cargas do Egito e vos salvarei do seu serviço e os redimirei com braço estendido e com grandes juízos. E vos tomarei por Meu povo, e serei para vós Deus, e sabereis que Eu sou o Eterno, vosso Deus, o que vos tirará das cargas do Egito".
Tudo começa com uma revelação de quem é Deus! Ele afirma: אֲנִי יְהוָה eu Sou o Eterno!
Um pouco antes, o Senhor diz a Moisés que se revelaria de uma forma nunca antes revelada - e Ele fala o Seu Nome! Este é o ponto principal da redenção de nossas vidas - uma experiência genuína com o Senhor! Paulo reafirma isso em Romanos 11.13, onde escreve que "todo o que invocar o nome do Senhor será salvo"!
Todo homem, em algum momento de sua vida, precisa desta experiência. Receber a revelação de quem Deus é e de Sua identidade afetam profundamente a maneira como encaramos a vida. Deus tem um nome. Deus tem uma identidade. Por não ser possível compreender este Ser soberano a partir de modelos pré-fabricados, Ele escolheu se revelar através da Palavra. Afinal de contas, quando nos deparamos com ídolos (e por isso o Eterno tanto abomina a idolatria), temos uma idéia fechada a respeito de alguém, suas limitações e sua forma de se manifestar.
Mas a Palavra exige que exista alguém que a leia, raciocine e a compreenda a partir de uma perspectiva interior. Seu leitor é alguém que a manuseia, estuda, re-estuda e modifica sua compreensão da vida a partir dela. Inicia-se assim um processo dinâmico onde o ser humano cresce e desenvolve um relacionamento vivo com a Palavra, descobrindo Seu autor a cada passo dado, a cada esquina virada da vida.
A vida é dinâmica....e neste processo de dinamismo devemos desenvolver nossa salvação, que ao contrário do que muitos pensam não é um pacote pronto, fechado que se coloca no microondas e após três minutos ela está pronta.
A salvação e a redenção de nossa existência exigirá mais de nós do que a principio percebemos.
Na origem do homem, esquecemos muitas vezes da ordem dada pelo Criador de cultivar a terra; em outras palavras, desenvolver uma cultura(ou conjunto de valores) e relacionar-se com a criação num mecanismo dinâmico, resultando no desenvolvimento pleno do homem e tornando-o tamim (inteiro) a cada dia de sua existência.
Fora disso, o que temos é religião vazia, inchada e que não tem a capacidade de satisfazer as necessidades mais básicas da vida humana:
O sentido de existir, de cumprir um papel neste mundo.
Quem sabe, perguntas tão antigas e atuais como "de onde vim", para onde vou"finalmente serão respondidas...
[continua no próximo post...]
Daniel Ben Iossef
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