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sábado, 3 de dezembro de 2011

Descanso: você está fazendo isso muito errado...

Fim de ano...

Geralmente, esta é uma época de férias para muitos ou, pelo menos, é o conceito generalizado encontrado por aí. Nesses dias, uma das expressões mais comuns encontradas é "estou cansado"... e realmente a maioria procura viajar ou ir para lugares distantes de sua rotina diária. Há, no entanto, um porém...

Dentre tantos assuntos comuns nesta época, quero destacar um em especial: o cansaço. O termo férias invariavelmente está conectado ao cansaço experimentado por muitos (ou todos nós...). Entretanto, se nos detivermos um pouco mais sobre o tema, iremos verificar que o remédio para o cansaço nem sempre é as férias. Afinal de contas, no que se pensa quando se está afadigado? Férias! Tem-se o conceito de que, para descansar de algo, basta parar de fazer aquilo que me cansa...certo? Nem sempre.

Quantos voltam do período de férias e, dias depois, estão esgotados? Sem força mental para continuar em frente? Por que isso acontece? Quem disse que o cansaço tem relação com aquilo que fazemos?

Alguns declaram que estão cansados por trabalhar demais...outros por não trabalharem! Então...fazer cansa? Sim! E não fazer? Cansa também...

Interessante.

Alguns exclamam: "estou cansado de ficar sozinho!", ao passo que outros dizem estar cansados da esposa ou do marido...então, estar só cansa, e estar casado também? Me responda uma coisa: como é que alguém que está cansado de estar só descansa? Colocando alguém do seu lado? E quem está cansado de ter alguém do seu lado? Mandando o outro embora? Não é interessante?

Uns reclamam do cônjuge por ele estar sempre ocupado e apressado...outros pelos respectivos não fazerem nada, não terem iniciativa...e aí, estar ocupado cansa? E ter tempo livre cansa também?

E aqueles que reclamam estarem cansados da vida? "rapaz, estou cansado da vida que eu vivo..." mas ao mesmo tempo tem medo de morrer. Como é que alguém que está cansado da vida descansa? Tirando sua própria vida ?

Alguns buscam mudar o visual. Cansaram do que veem no espelho. Tingem o cabelo, cortam, alisam, encrespam...e depois de algum tempo, continuam cansados. Eram cansados feios...tornaram-se cansados bonitos!

Outros buscam um novo emprego. Pedem as contas, e de cansados empregados tornam-se cansados desempregados...

Quantos já ouviram esta pergunta - e aí, descansou? - depois de um período de férias?

Cansaço, cansaço, cansaço...

Ufa! Só de escrever cansaço já deu uma "canseira"...

Depois de tanta "canseira", onde podemos realmente achar descanso para nossas almas?

Antes de tratar do que fazer, vamos ver um exemplo do que não fazer. Veremos exatamente o caminha trilhado pela grande maioria, e ficará óbvio o fracasso em buscar descanso nos lugares errados. Acompanhe comigo:

Salomão em seu trono
Salomão, que reinou em lugar de seu pai Davi, disserta, entre outras coisas, sobre sua busca por descanso no livro de Eclesiastes (escrito no período final de sua vida). É muito interessante observar a abordagem que ele dá ao tema, pois parte do ponto de vista de si mesmo e dos resultados das experiências que teve. O primeiro capítulo, no versículo dois, já traz uma introdução bem animadora do assunto:

Coisas inúteis e mais inúteis!, - diz o Pregador - Coisas inúteis e mais inúteis! Tudo é inútil!

Trocar de emprego é inútil...trabalhar demais é inútil...ir para o salão de beleza, trocar o carro, ficar sem fazer nada....é inútil! Trocar de esposa ou marido? Aí é pecado mesmo!

Dentro do contexto trazido pelo autor, sigamos a leitura até o versículo nove:

"Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho que ele trabalha abaixo do sol?  Geração vai, e geração vem; porém a terra permanece para sempre.  O sol nasce, e o sol se põe; e se apressa ao seu lugar onde nasceu.  O vento vai ao sul, e rodeia para o norte; continuamente o vento vai rodeando e voltando aos lugares onde circulou.  Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar onde os ribeiros correm, para ali eles voltam a correr.  Todas estas coisas são tão cansativas, que ninguém consegue descrever; os olhos não ficam satisfeitos de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.  O que foi, isso será; e o que se fez, isso será feito; de modo que nada há de novo abaixo do sol". Ec 1.3-9

É...não creio que Salomão pudesse ganhar a vida com palestras motivacionais! Ele trata aqui do cotidiano, da rotina diária. De quando acordamos todos os dias no mesmo horário, fazemos as mesmas coisas, ouvimos as mesmas desculpas esfarrapadas de sempre, as mentiras, a futilidade, o trânsito...semana após semana, mês após mês, ano após ano...

Como você acha que ele se sentia? Exatamente como nós: cansado...

Ele vai então trilhar o caminho que muitos fazem: colocar a mochila nas costas e vazar! Fui! Será esta a resposta?

"Disse a mim mesmo: experimentarei o prazer e verificarei o que é alegria." Ec 2.1a

Ele disse isso a si mesmo provavelmente por estar se sentido só. Em outras palavras, está dizendo: "quer saber? Vou sair mesmo, vou prá (sic) balada..." . Em nossos dias, Salomão iria se tornar um frequentador de boates, bailões e afins...

O resultado?

" ...eis, porém, que também aí só encontrei futilidade. Em relação ao riso, concluí: é loucura! - e em relação à alegria me perguntei: a que conduz?

O que ele encontrou? Mais inutilidade...depois das luzes desligadas, do silêncio...sobrou a ressaca e o cansaço."é bobagem" - ele diz - "risos fúteis de nada servem"...

E ele continua:

"Procurei deliciar meu coração com o vinho, mantendo ao mesmo tempo a sabedoria e insensatez, a fim de descobrir o que, para os filhos dos homens, é melhor para se praticar debaixo do sol, durante o tempo de suas vidas". Ec 2.3

Em termo bem popular, Salomão "encheu a cara"! Todo bêbado parece alegre....mas a ressaca veio, a dor de cabeça e a realidade continuavam ali. E o que ele busca então?

"Fiz para mim obras grandiosas; construí casas para mim; plantei vinhas para mim. Fiz para mim pomares e jardins; e plantei neles árvores de toda espécie de frutos. Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que se plantavam as árvores. Adquiri escravos e escravas, e tive escravos nascidos em casa; também tive grande rebanho de vacas e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém". Ec 2.4-7

Bom, agora Salomão torna-se um workaholic. Trabalhar, trabalhar e trabalhar...se o tal "deixa a vida me levar" não adiantou, quem sabe empreender grandes realizações? Obras faraônicas? Acumular riquezas? E ele acumula, acumula (...acumulei também prata e ouro, e províncias...), mas....NADA! O seu interior continuava o mesmo! E agora? Bom, que tal trocar o cd?

 "...reservei para mim cantores e cantoras..." (verso 8b) 

Hum....mudar a trilha sonora...ouvir outras coisas. Vistar museus, exposições de arte, ir ao cinema? E quem sabe...

"...e dos prazeres dos filhos dos homens: várias mulheres". (verso 8c)

Concubinas em grande número. Mulheres, orgias. Se isso resolvesse, ele estaria mais que feliz! Ele teve 1000 mulheres...mas quer saber? Nada novamente! 

Percebeu? Os métodos "modernos" de saciar a alma - noitadas, bebida, trabalho em demasia, prostituição - não podem e nunca poderão trazer o descanso que precisamos. Porque este descanso que tratamos aqui não é físico e nem psicológico...é da alma!

Sabendo disso, Jesus nos ensina que:

"Vinde a mim todos os que estais cansados, e carregados, e eu vos farei descansar. Tomai sobre vós meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossas almas". Mt 11.28,29


Algumas lições importante aprendemos aqui:

1 - o cansaço é uma realidade para todos nós: independente de origem, profissão ou classe social. Desde que o pecado entrou nesta terra, "...do suor do teu rosto comerás o pão..." (Gn 3.19). Sendo o cansaço uma realidade, temos então a segunda lição:

2 - ir a Jesus e tomar seu jugo: Há, no grego, um imperativo aqui (Ελθετε venha! ) que nos mostra a força deste convite. Não é algo despretensioso, mas quase que uma ordem para seus ouvintes: Venham! Jesus usa o exemplo pastoril de dois bois ligados entre si por uma canga, ou jugo. Isso facilitava o trabalho dos animais, pois era mais fácil suportar o trabalho e cansava menos. Temos, em Jesus, uma provisão de força onde podemos vencer os ventos contrários que procuram nos impedir de seguir em frente.

3 - aprender de Jesus: aprender aqui (μαθετε) traz aceitar o próprio Cristo, rejeitando a existência antiga e começando uma nova vida como discípulo dEle. Não se trata aqui de um aprendizado intelectual. É trazer para o âmago do homem a humildade e mansidão, contrários à natureza egoísta e pecaminosa do velho homem. É tornar-se um discípulo de Jesus em Sua essência...

4 - aprender a descansar nEle: Mateus usa aqui uma palavra grega (αναπαυσει) que tem o conceito de pausa. Jesus, então, nos chama para um momento de descanso em meio às atividades. Lembra de Marta e Maria? O problema de Marta não era trabalhar, mas trabalhar no hora errada! Existem momentos de pausa, onde devemos deixar nosso cotidiano de lado para focar em outra coisa - aqui, no ensino do Salvador. Qual a última vez que você realmente conseguiu para tudo o que estava fazendo e descansar? Quando foi a última vez que você passou algum tempo na presença de Deus, desfrutando de Sua companhia?

Deus está dizendo: quer vencer o cansaço? Descubra o foco dele!". E onde ele se aloja? Na alma (psiquê). Por isso ações e fatores externos não conseguem trazer o descanso. Se o cansaço é dentro, não há mulher, carro, posses ou dinheiro que resolva! Jesus sabia que o ser humano tende ao cansaço, e mais ainda, busca suprir de descanso a alma onde não há provisão para tal.

E por último: lembre-se da conjunção aditiva "e" na sentença de Jesus:

"Tomai sobre vós o meu jugo, E aprendei de mim...E achareis descanso para vossas almas"


Em Cristo,

Daniel






quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quando o problema é alguém que vemos nos espelho...

Existem certas coisas que nos deixam perplexos e ansiosos. Frequentemente somos levados pelo nosso próprio ponto de vista e analisamos situações e pessoas a partir do que julgamos ser certo ou errado.  Isso é de certa forma normal, pois nossa natureza caída e egoísta nos faz "funcionar" de acordo com ela na grande maioria das vezes. Tanto que apenas aqueles que nasceram de novo tem a real capacidade de discernir isso e poder escolher um outro caminho...

Porém....

Todo cristão está num processo de ser transformado à imagem do Filho de Deus (Rm 8.29) e, portanto, há uma dinâmica sempre presente em sua vida. O ponto crucial é que esquecemos disto... lembramos sim de um sermão, palavra ou situação onde "outros" deveriam estar presentes e receber aquilo...mas nós não. Frequentemente. Aí reside o "x" da questão. Afinal de contas, o problema são os outros mesmo....ou seremos nós?
Você já questionou o que há de errado quando ora por alguma situação e esta não muda?

Vejamos o que a Bíblia tem a falar sobre isso:

Disse o Senhor a Moisés: Entra a Faraó, pois Eu endureci o seu coração e o coração dos seus servos, para que eu manifeste estes meus prodígios no meio deles, e para que contes aos ouvidos de teus filhos e dos filhos de teus filhos que coisas tenho feito no Egito, e os meus prodígios que tenho feito no meio deles; a fim de que saibais que Eu sou o Senhor.
Êx 10.1,2

Interessante o paradoxo encontrado aqui. Deus envia Moisés para libertar o povo da escravidão no Egito, e ao mesmo tempo afirma a ele: "Seguinte, Moisés. Você vai lá diante de Faraó e diga a ele para libertar o meu povo. Mas ele não vai concordar com isso, pois eu endureci o seu coração com relação a você e seus irmãos...".

Estranho, não é? Imagine-se no lugar de Moisés por um momento..."Como?!? Ir falar com ele, sabendo que ele não vai ceder de jeito nenhum, pois o Senhor mesmo irá fazer agi-lo assim? Que perda de tempo é essa? Será que ouvi direito?

O que você pensaria? Certamente poderíamos cogitar muitas coisas, mas o fato é a narrativa afirmar o endurecimento do coração do monarca e a ordem para ir confrontá-lo mesmo assim. Qual a motivação por trás deste ato?

O texto segue explicitando o motivo: para que eu manifeste estes meus prodígios no meio deles...é importante ter em mente aqui a soberania de Deus, e que Suas atitudes nunca são impensadas ou alheia à algum propósito. Não sei para você, mas para mim é um motivo de descanso na alma poder confiar na graça e no poder de nosso Deus...deste modo, os sinais teriam um efeito poderoso na mentalidade do povo. Mas que povo? Naturalmente pensaríamos nos egípcios, não é? Mas não se apresse....sigamos mais um pouco no texto, e descobriremos sobre quem repousava o alvo de Deus...

"...para que contes aos ouvidos de teus filhos e dos filhos de teus filhos que coisas tenho feito no Egito, e os meus prodígios que tenho feito no meio deles; a fim de que saibais que Eu sou o Senhor." Êx 10.1,2

Percebeu o alvo aqui? Os Israelitas! Eles sempre estiveram diante dos "olhos" de Deus...e tudo aquilo tinha como objetivo mudar a maneira de ver a vida e a Deus! Provavelmente não notamos isso numa leitura rápida...mas o fato é que o motivo de Deus endurecer o coração de Faraó e dos egípcios era trabalhar no coração dos israelitas. Grave bem isso em sua mente.

Afinal de contas...
Com quantos corações endurecidos você já se deparou? Teve que relacionar com eles? No lar, no trabalho, no rol de amigos...nas mais diversas ocasiões e circunstâncias somos confrontados com isso. E o que fazemos? Oramos para que os outros mudem de atitude, não é? Partimos do velho princípio de que nós estamos certos, e o mundo, errado...

Deus queria incutir na mentalidade do povo uma nova cultura. Tenha em mente o fato de terem nascido escravos, condicionados a um comportamento passivo diante da vida. Como você imagina que era a educação das crianças, da próxima geração, naquele meio? Não me admira o fato de terem perecido no deserto pela incredulidade...aliás, já vemos aqui um vislumbre disso no fato das gerações seguintes entrarem na promessa. Mas o ponto a ressaltar aqui é a responsabilidade delegada aos pais de, após testemunharem o livramento miraculoso e experimentar servir ao Deus vivo, de ensinarem seus filhos a respeito deste Deus - uma espécie de home-schooling primitivo...interessante...

Isso nos leva a meditar num ponto: que tipo de discurso nossos filhos ouvem em casa? Tem eles ouvido a respeito das obras e da graça de Deus, ou apenas a murmuração a respeito da igreja, do trabalho, das outras pessoas? Que tipo de cultura criamos para a próxima geração? O quanto da rebelião de nossos filhos não é fruto de lábios ingratos e mentirosos dos pais nos lares? E claro, a culpa sempre é dos outros...

Saiba de uma coisa: se oramos por determinada situação e ela não muda, talvez que deva mudar somos nós! Sim, Deus ainda endurece o coração de pessoas ao nosso redor no intuito de nos humilhar e nos moldar à imagem de Cristo.

Para aquela geração, dez pragas foram suficientes em demonstrar quem Deus era, quem eles eram, e a quem serviam...a lição, de fato, foi absorvida. , você pode perguntar, mas eles não morreram no deserto? Não foram rebeldes e de coração duro? Sim. Mas seus filhos herdaram a promessa, por confiarem que o Deus da libertação da escravidão de seus pais era o mesmo que os levaria à vitória da conquista da Terra Prometida.

Para terminar, deixo aqui uma pergunta:

Quantas "pragas" são suficientes para ensinar a você o fato de que precisa mudar? Até que ponto a dureza dos outros não é reflexo da dureza de seu coração?

Solideogloria

Daniel

sábado, 8 de janeiro de 2011

Qual a interpretação correta do livro do Apocalipse?


Antes de falar nisto, deixe-me fazer uma consideração sobre parábolas e linguagem simbólica.
Durante o seu ministério, Jesus também falava muito por meio de símbolos – no que chamamos de parábolas. Uma explicação muito comum, mas equivocada sobre o uso de parábolas no ministério de Jesus, era que as parábolas supostamente facilitariam o entendimento da população que ouvia Jesus, já que transmitiam os ensinamentos por meio de comparações baseadas na vida comum de seus ouvintes. Tal explicação é incoerente com o ensino do próprio Jesus sobre o tema:
E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem.”  (Mt 13:10-13)
Jesus não usava parábolas pra facilitar a compreensão das verdades espirituais, mas para dificultar. Para compreender uma parábola, era preciso muita reflexão. Uma pessoa que verdadeiramente buscasse a Deus iria pensar, refletir, buscar e perguntar até que ele consiga encontrar o real sentido do que Cristo ensinava. Tendo encontrado o significado, ele irá refletir sobre o ele até que ele consiga compreender o máximo possível sobre Deus mediante a nova informação adquirida. O que Jesus disse é que ele queria que o sentido da parábola tivesse aberto somente para aqueles que realmente tivessem o desejo de compreendê-las. Isso requer dedicação e esforço.
É devida justamente a sua natureza simbólica que não existe unanimidade na interpretação do Apocalipse, ainda que em meio aos melhores estudiosos. A dificuldade em compreender este livro é que a sua mensagem é quase inteiramente transmitida em símbolos. O famoso escritor Ambrose Bierce comentou com uma dose de humor sobre este livro, dizendo que João escondeu tudo o que sabia e que quem nos dá a revelação são comentaristas que nada sabem. Não é a toa que um conhecido costuma dizer que “escatologia é terra de ninguém”.
Diferentes linhas de interpretação têm sido defendidas por grandes nomes no Cristianismo por toda a história. O aconselhável é que você se informe sobre as principais correntes de interpretação até chegar a uma conclusão sobre o que acredita ser o mais bíblico. Por que não começar sua pesquisa com os mil anos de Apocalipse 20? Sobre isto, existem três correntes principais de interpretação:
1) Pré-Milenismo: É a corrente que defende que a Segunda Vinda de Jesus acontecerá antes (pré) do período de mil anos de Apocalipse 20. Acreditam que serão mil anos literais e será caracterizado por grande paz e prosperidade na terra devido à presença física de Jesus reinando. Alguns defensores notáveis do Pré-Milenismo: Justino Mártir, Irineu, Charles Spurgeon, John Darby, John McArthur, John Piper, Mark Driscoll, Billy Graham.
2) Amilenismo: É a corrente que defende que os mil anos de Apocalipse 20 não devem ser entendidos literalmente, mas é uma linguagem figurada para falar de toda a História da Igreja da Primeira até a Segunda Vinda de Cristo. Defendem que não devemos esperar nenhum período de paz ou prosperidade terrena como fruto desse Reino, mas que o Reino de Cristo é completamente espiritual, no coração dos cristãos. Alguns defensores notáveis do Amilenismo: Agostinho, Martinho Lutero, Heinrich Bullinger, Abraham Kuyper, Cornelius Van Til, Herman Hanko, R.C Sproul.
3) Pós-Milenismo: É a corrente que defende que os mil anos de Apocalipse 20 não devem ser entendidos literalmente, é uma linguagem figurada para falar de toda a História da Igreja, mas que acreditam que o que devemos esperar para a História da Igreja é a evangelização do mundo inteiro e o completo desenvolvimento social, econômico e cultural do mundo como fruto dessa evangelização. Acreditam que a Grande Comissão será bem sucedida e que a maior parte das pessoas do mundo será convertida. Alguns defensores notáveis do pós-milenismo: Atanásio, João Calvino, John Knox, a maioria dos puritanos, Jonathan Edwards, Kenneth Gentry, Gary DeMar, Gary North, David Chilton.
Não estamos afirmando que todas essas interpretações sejam igualmente corretas, pois a Bíblia sendo perfeita não poderia estar falando mais de uma coisa sobre o mesmo assunto. Estamos falando somente que não há consenso sobre isso; então, o melhor a fazer é estudar todas as opiniões e estudar bastante as Escrituras, com muita oração, para chegar a uma conclusão pessoal sobre qual sistema parece ser o mais bíblico. Para isso, não esqueça que, como a Confissão de Westminster comenta com muita razão, “na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos…” (I, 7).

Extraído do site Voltemos ao Evangelho , reproduzido sob permissão do autor

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A cruz que antecede a luz

Uma pequeno texto do meu amigo Eric, que reproduzo aqui.
Shalom!
"...O Cordeiro que foi morto, antes da fundação do mundo..." 

A cruz teve sua representação histórica há 2000 anos atrás, quando Jesus foi de fato morto e ressuscitou ao 3º dia. Mas é muito interessante saber que na verdade, isso aconteceu antes da fundação do mundo.

Deus é Atemporal, não está restrito ao espaço-tempo, portanto pra Ele, as coisas não acontecem de forma linear como são pra Nós.

Antes de da criação e da queda, já havia o Perdão provisionado. Deus não foi pego de surpresa. Na verdade, Adão é que foi. Quando pensou que tudo estava acabado, descobriu que a história só estava começando...

Antes de haver LUZ houve CRUZ.

"... e porei inimizade entre a sua descendência e o seu descendente..."
Eric Jóia

quarta-feira, 3 de março de 2010

Que tipo de animal?



Li um texto interessante hoje, e repasso aqui para vocês...


"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a
vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim"
(João 14:6).

Alguns membros de igreja empacam como uma mula no que diz
respeito à obra do Senhor, mas, são astutos como uma raposa
quando tratam de seus próprios negócios; apressam-se como
uma abelha para espalhar as fofocas mas recentes, mas,
mostram-se quietos como um rato na divulgação do Evangelho
de Jesus Cristo. Muitos são cegos como morcegos, não
enxergando as necessidades do próximo, mas têm olhos de
falcão para ver as falhas de alguns. Alguns são ansiosos
como um castor sobre um churrasco, mas, preguiçosos como um
cachorro em relação às reuniões de oração. Alguns rugem como
um leão quando as coisas não lhes agradam, mas, são dóceis
como um cordeiro quando precisam do pastor da igreja. Alguns
são tão ruidosos como uma maritaca quando solicitam ajuda da
igreja, mas, tímidos como um gatinho para conversar com o
perdido e lentos como um caracol na visita aos desanimados e
enfermos. Muitos são como corujas nas noites de sábado, mas,
como percevejos nas manhãs antes dos cultos nos fins de
semana e escassos como os dentes da galinha nas noites de
estudo bíblico.

O nosso texto brinca com os nomes de alguns animais, mas
expressa uma realidade que existe em nossas igrejas.
Parecemos membros de um clube que se reúnem, como uma
rotina, em um determinado lugar no final de semana, para
cantar, colocar os papos em dia e voltar para casa com a
certeza de que cumpriu o seu dever religioso diante de Deus.

Mas será que isso que fazemos se chama "servir ao Senhor"?
Será que o fato de irmos à igreja mantém a nossa luz acesa e
brilhante? Será que temos plena convicção de que Deus se
agrada de nós e nos espera de braços abertos para com Ele
estar por toda a eternidade?

Mais do que colocar uma roupa bonita e rumar para o templo
nos finais de semana, o Senhor espera que compreendamos que
fomos salvos e separados para ser uma bênção em Suas mãos,
para testificar ao incrédulo das Suas maravilhas, para
transformar o ambiente de um mundo tenebroso com o propósito
de mostrar a todos que estão ao nosso redor, que Jesus
Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Nós somos muito mais do que os bichos de nossa ilustração --
somos os filhos amados de Deus, herdeiros do Céu de glória.

No Messias,

Daniel Ben Iossef

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ensaio sobre a visão



Segue uma reflexão interessantíssima sobre a visão...

Daniel Ben Iossef

Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego. Esta expressão costura o enredo de Ensaio sobre a cegueira, a obra onde José Saramago sugere que num mundo onde todos estão cegos, a visão passa perto de ser uma maldição. Quem enxerga se torna responsável. E o peso da responsabilidade aos poucos vai se tornando insuportável. Só não é mais insuportável que o peso da própria cegueira.


A Bíblia Sagrada fala da experiência espiritual cristã como "passagem das trevas para a luz" e anuncia a irrupção do reino de Deus na pessoa de Jesus dizendo que "o povo que estava em trevas viu uma grande luz", e por esta razão aqueles que seguem a Jesus "não andam em trevas". Quem nasceu de novo, isto é, recebeu o toque do Espírito Santo e acolheu o reino/reinado de Deus em sua vida foi iluminado e passou a ver: "eu era cego, agora vejo".


Jesus diz que seus discípulos também são a luz do mundo, mas os adverte dizendo que "o olho é a lâmpada do corpo. Portanto, se você tiver um olho bom, todo o seu corpo será repleto de luz; mas se tiver um olho mau, todo o seu corpo estará repleto de escuridão. Caso a luz que está em você seja escuridão, quão terrível será essa escuridão".


No judaísmo, "ter um olho bom", um "ayin tovah", significa "ser generoso", e ter "um olho mau", um "ayin ra´ah", significa "ser mesquinho". A cegueira é comparada ao egoísmo; a visão, à solidariedade, à compaixão e também à auto-doação voluntária e ao serviço abnegado. Ser cego é ser auto-centrado e indiferente. Enxergar é morrer para si mesmo e assumir com Cristo o peso da cruz, sofrendo com Ele as dores do mundo, o que necessariamente implica e resulta viver para Ele e para os que são dEle. Enxergar é servir. Andar na luz é praticar as boas obras, preparadas de antemão para que andássemos nelas e sem as quais a fé é morta.


Contrariando o dito popular que afirma que o pior cego é aquele que não quer ver, podemos crer que a pior cegueira é a cegueira da cegueira. Quem transforma a fé em Cristo numa crença inconseqüente, é cego que pensa que vê, é cego de sua própria cegueira, é o pior dos cegos. A distância entre a cegueira e a visão é a mesma que separa a indiferença do engajamento. Quem recebe a graça de ver, recebe a missão de servir.


Por Ed René Kivitz em www.irmaos.com/artigos

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pare e pense... (2)



Mais uma da série "Pare e pense".....

Os homens parecem nos dizer: “Não há qualquer utilidade em seguirmos o velho método, arrebatando um aqui e outro ali da grande multidão. Queremos um método mais eficaz. Esperar até que as pessoas sejam nascidas de novo e se tornem seguidores de Cristo é um processo demorado. Vamos abolir a separação que existe entre os regenerados e os não-regenerados. Venham à igreja, todos vocês, convertidos ou não-convertidos. Vocês têm bons desejos e boas resoluções: isto é suficiente; não se preocupem com mais nada. É verdade que vocês não crêem no evangelho, mas nós também não cremos nele. Se vocês crêem em alguma coisa, venham. Se vocês não crêem em nada, não se preocupem; a ‘dúvida sincera’ de vocês é muito melhor do que a fé”.Talvez o leitor diga: “Mas ninguém fala desta maneira”. É provável que eles não usem esta linguagem, porem este é o verdadeiro significado do cristianismo de nossos dias. Esta é a tendência de nossa época. Posso justificar a afirmação abrangente que acabei de fazer, utilizando a atitude de certos pastores que estão traindo astuciosamente nosso sagrado evangelho sob o pretexto de adaptá-lo a esta época progressista.O novo método consiste em incorporar o mundo à igreja e, deste modo, incluir grandes áreas em seus limites
.


Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade, eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus, em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus?Ai de mim! Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas; e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza. Não me demorarei mais falando a respeito desta proposta tão deplorável


Charles Spurgeon

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pare e pense...



Qual o tipo de avivamento ansiamos?

O que queremos ver em nossas comunidades?

Com a palavra, Charles Spurgeon*



"Necessitamos urgentemente de um avivamento da devoção pessoal. Este é, sem dúvida, o segredo do progresso da igreja. Se os crentes perdem a sua firmeza, a igreja é arremessada de um lado para o outro. Quando eles permanecem firmes na fé, a igreja continua fiel ao seu Senhor. O futuro da igreja, nas mãos de Deus, depende de pessoas que na realidade são espirituais e piedosas. Oh! que o Senhor levante mais homens genuinamente piedosos, vivificados pelo Espírito Santo, consagrados ao Senhor e santificados pela verdade! Irmãos, cada um de nós precisa viver, para que a igreja continue viva. Temos de viver para Deus, se desejamos ver a vontade do Senhor prosperar em nossas mãos. Homens consagrados tornam-se o sal da sociedade e os salvadores da raça humana."



"Queremos um avivamento das antigas doutrinas. Não conhecemos uma doutrina bíblica que, no presente, não tenha sido cuidadosamente prejudicada por aqueles que deveriam defendê-la. Há muitas doutrinas preciosas às nossas almas que têm sido negadas por aqueles cujo ofício é proclamá-las. Para mim é evidente que necessitamos de um avivamento da antiga pregação do evangelho, tal como a de Whitefield e de Wesley. As Escrituras têm de se tornar o infalível alicerce de todo o ensino da igreja; a queda, a redenção e a regeneração dos homens precisam ser apresentadas em termos inconfundíveis."


Discernidor

* Charles Haddon Spurgeon, comumente referido como C. H. Spurgeon (19 de junho de 1834 — 31 de janeiro de 1892), foi um pregador Batista Reformado, nascido em Kelvedon, Essex na Inglaterra.

Converteu-se ao cristianismo em janeiro de 1850, aos quinze anos de idade. Aos dezesseis, em 1851, pregou seu primeiro sermão; no ano seguinte tornou-se pastor de uma igreja batista em Waterbeach, Condado de Cambridgeshire (Inglaterra). Em 1854 Spurgeon, então com vinte anos, foi chamado para ser pastor na capela de New Park Street, Londres, que mais tarde viria a chamar-se Tabernáculo Metropolitano, transferindo-se para novo prédio.

Desde o início do ministério, seu talento para a exposição dos textos bíblicos foi considerado extraordinário. E sua excelência na pregação nas Escrituras Bíblicas lhe deram o título de O Príncipe dos Pregadores, em sua vida, Spurgeon pregou para cerca de 10.000.000 pessoas.
- fonte: wikipédia