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sábado, 10 de maio de 2008

A tempestade e a quietude.


“Passamos pelo fogo e pela água, mas trouxeste-nos a um lugar de abundância” (Sl 66.12).



Embora seja paradoxal, só conhece o descanso a pessoa que o obtém através do conflito.Esta paz, nascida do conflito, não é como o silêncio de morte que precede o temporal, mas sim, como a quietude serena que vem depois dele.

Geralmente não são as pessoas prósperas e que nunca sofreram que são fortes e têm paz.Sua estrutura nunca foi testada, e essas pessoas não sabem como irão se portar ante o mais leve choque.O marinheiro mais seguro não é o que jamais viu uma tempestade;este servirá apenas para serviços de bom tempo; mas quando um temporal se forma, vai para o posto importante o homem que já lutou contra a tempestade, que provou o barco, que lhe conhece a inteireza do casco, a estrutura dos cabos, as patas da âncora, capazes de agarrar-se aos fundos oceanos.

Quando a aflição nos atinge pela primeira vez, tudo cede terreno!As nossas esperanças, que à semelhança de gavinhas nos mantinham seguros, são arrancadas, e o coração se abate, como a parreira que a tempestade arrancou da latada.Mas, passado o primeiro choque, quando somos capazes de olhar para cima e dizer: “É o Senhor”, a fé levanta mais uma vez suas esperanças partidas e liga-nos fortemente aos pés de Deus.Assim, o fim é a confiança, segurança e paz.

Um bom fim de semana a todos!


Discernidor

domingo, 27 de abril de 2008

Refrigério no deserto (4)


"Na verdade tenho também como perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor" Fp 3.8

Brilhar custa sempre alguma coisa.A luz só brilha às custas daquilo que a produz.Um avela não produz luz se não for acesa.Ela precisa arder para brilhar.Nós não podemos ser de grande utilidade para os outros sem que isso nos custe.Arder sugere sofrimento.E sempre nos retraímos à idéia de sofrer.

Somos inclinados a pensar que estamos fazendo o maior bem ao mundo, quando somos fortes e capazes para o dever ativo e quando temos o coração e as mãos cheios de bons serviços.

Quando somos chamados de parte e nos sobrevém o sofrimento, quando estamos doentes, quando estamos consumidos pela dor, quando todas as nossas atividades têm que ser deixadas, sentimos que não temos utilidade alguma, que nada estamos fazendo.

Mas, se formos pacientes e submissos, é quase certo que somos maior bênção para o mundo em nosso tempo de sofrimento e dor, do que nos dias em que pensávamos estar fazendo o máximo do nosso trabalho.Estamos ardendo, agora, e brilhando, porque estamos ardendo.

"A glória de amanhã tem suas raízes no sofrimento de hoje."

Muitos querem a glória sem a cruz, o brilho sem a queima; porém, antes da coroação vem a cricificação.Extraído do livro "Mananciais no Deserto".

Na paz de Cristo,

Discernidor

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Refrigério no deserto (3)


“Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia...disse-lhe o Senhor...Vi, com efeito, o sofrimento do meu povo no Egito, ouvi o seu gemido, e desci para liberta-lo.Vem agora e eu te enviarei ao Egito.” At 7.30;33,34.

Essa foi uma longa espera, em preparação para uma grande missão.Quando Deus parece “tardar”, Ele não está inativo.Está preparando seus instrumentos, está deixando amadurecer nossos poderes; e no momento aprazado, nos levantaremos à altura da nossa tarefa.Mesmo Jesus de Nazaré permaneceu trinta anos no silêncio, crescendo em sabedoria, antes de começar a sua obra.

Deus nunca está com pressa.Ele gasta muito tempo preparando aqueles que pretende usar para um serviço mais importante na Sua obra.Ele nunca considera o tempo da preparação demasiadamente longo nem desnecessário.

O ingrediente mais difícil de se suportar é, muitas vezes, o tempo.Um golpe agudo e rápido é suportado mais facilmente, mas quando um sofrimento se arrasta por anos longos e monótonos, e a cada dia continua presente, com a mesma rotina enfadonha de irremediável agonia, o coração perde a força, e sem a graça de Deus, certamente cairá num amargo desespero.
Longa foi a prova de José, e, muitas vezes, Deus tem de gravar Suas lições no nosso coração por meio do fogo e de uma dor prolongada.”Assentar-se-á como um ourives e refinador de prata”, mas Ele sabe por quanto tempo, e como um verdadeiro ourives Ele diminui o fogo no momento em que vê a Sua imagem no metal brilhante.Podemos não ver agora o resultado do plano grandioso que Deus está ocultando na sombra de Sua mão; e este pode ser-nos ainda oculto por muito tempo; mas a fé pode estar certa de que Ele está assentado no trono, esperando calmamente pela hora em que, em arrebatamento e adoração, diremos: ”Todas as coisas contribuem juntamente para o bem”.
Sejamos, à semelhança de José, mais cuidadosos em aprender as lições na escola da dor, do que ansiosos pela hora do livramento.Há um “se necessário” para cada lição, e quando estivermos prontos, por certo virá o livramento, e descobriremos que não poderíamos ter permanecidos firmes no nosso posto de serviço, sem as lições que aprendemos na fornalha da provação.Deus está-nos educando para o futuro, para um serviço mais elevado e para bênçãos mais sublimes; e se temos qualidades que nos habilitam para uma posição de autoridade, nada nos poderá impedir de ocupa-la, quando chegar o tempo de Deus.
Não roubemos da mão de Deus o amanhã.Devemos dar-lhe tempo para falar conosco e revelar-nos a Sua vontade, Ele nunca está atrasado; aprendamos a esperar.

Não corramos afoitamente adiante do Senhor; aprendamos a esperar pelo Seu tempo: tanto o ponteiro dos minutos como o ponteiro das horas precisa estar apontando o momento da ação.

Extraído do livro: “ Mananciais no Deserto”

domingo, 2 de março de 2008

Refrigério no deserto (2)

"Prepara-te para amanhã, para que subas...e ali te apresenta a mim no cume do monte.Ninguém suba contigo." Êx 34.2,3

O momemto matinal com Deus é essencial.Não podemos encarar o dia sem ter olhado para Deus, nem ter contato com outros, sem primeiro ter estado em contato com Deus.

Não podemos esperar vitória, se começarmos o dia na nossa própria força.Enfrentemos o trabalho de cada dia sentindo a influência de alguns momentos tranquilos com o coração diante de Deus.Não entremos em contato com ninguém, mesmo os da casa, sem ter primeiro conversado com o grande hóspede e companheiro de nossa vida - Jesus Cristo.

Conversemos a sós com Ele regularmente.Conversemos a sós com Ele diante da Bíblia, e enfrentemos os deveres habituais e não habituais de cada dia, tendo a influência dEle a controlar cada um de nossos atos.

Força e vitórias,

Discernidor

(extraído do livro "mananciais no deserto")


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Refrigério no deserto (1)


Converteu o mar em terra seca; atravessaram o rio a pé; ali nos alegramos nele(Sl 66.6)
É notável o que se declara aqui :"atravessaram o rio" (situação em que só esperaríamos tremor, terror, angústia e desfalecimento) e "ali", diz o salmista, "nos alegramos nele".
Quantos crentes poderiam endossar isto como sua experiência : "ali", exatamente nos tempos de angústia e tristeza, eles têm sido, mais do que nunca, capacitados a triunfar e regozijar-se.
Quão perto se faz presente o Deus da aliança!E como se destacam as suas promessas!Nos dias da prosperidade não vemos bem as promessas, assim como não vemos as estrelas ao brilho do sol.Mas quando vem a noite, a noite profunda e escura do sofrimento, multidões de estrelas começaram a aparecer - são constelações que trazem esperança e consolação.
E como Jacó em Jaboque, é quando o sol se põe que vem a nós o Anjo divino e lutamos com Ele e prevalecemos.
Era à noite que Arão acendia as lâmpadas do santuário.É na noite da aflição que muitas vezes são acesas as lâmpadas mais brilhantes do crente.
Foi na solidão do exílio que João teve a gloriosa visão de seu Redentor.Temos muitas outras Patmos neste mundo, cujas lembraças mais belas são as da presença de Deus e do sustento de Sua graça e amor na solidão e tristeza.
Quantos peregrinos, passando ainda por estes mares Vermelhos e estes Jordões de aflição, poderão dizer, no retrospecto da eternidade - cheios de lembranças da grande bondade de Deus - palavras assim :"Atravessamos o rio a pé, ali - naquelas experiências escuras, com ondas surgindo por todos os lados, um abismo chamando outro abismo, o Jordão, como quando Israel o atravessou, transbordando ' por todas as suas ribanceiras' - ali nos alegramos nEle"!
Uma boa semana a todos!
Extraído do livro "Mananciais no deserto".