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sábado, 3 de novembro de 2012

De que lado você fica?


Existem algumas verdades bíblicas que são inegociáveis: a inerrância das Escrituras, a Trindade, a salvação pela graça...e entre elas podemos destacar uma que em face das vicissitudes diárias enfrentadas por todos nós torna-se de algum modo esquecida: o destino que Deus tem para nossas vidas é bom.
Permita-me repetir isso: o destino que Deus tem para nossas vidas é bom. Se necessário, leia mais uma vez, e deixe que estas palavras sejam absorvidas como água que se derrama sobre terra seca.
Uma sentença assim abre diversos ângulos de discussão: qual o conceito bíblico sobre a palavra destino? Como ter a certeza de que ele é bom? Onde está a bondade de Deus no meio de tanto mal? Por que sofro tanto se Deus é bom? No entanto, o intuito deste texto não é analisar exaustivamente estas indagações, mas lançar luz sobre o tema da bondade de Deus de nossa postura frente à isso.
Para tal, teremos o texto de Jeremias 29.11(NVI) como norte nesta reflexão:
Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes ESPERANÇA e um FUTURO." (grifo nosso).
O que a Palavra ensina? Que há um plano em ação nos conduzindo, dia após dia,  a um futuro de prosperidade esperançaPodemos ter vivido um passado de dor e fracasso, porém ele não é capaz de impedir a manifestação da vontade soberana de Deus. Em outras palavras, o passado fez parte do processo de construir quem você é hoje, mas não determina quem você será amanhã. A verdade é que a história de sua vida ainda não acabou. O Senhor é claro ao afirmar: "Eu tenho um plano, um futuro de esperança para fazê-lo prosperar". Vale lembrar que o termo prosperidade não é restrito à finanças, mas abrange a vida humana como um todo; Deus mesmo fornece os subsídios de modo a  fazer cumprir Seus propósitos e glorificá-lo. Se respondemos a isso, se formos fiéis no pouco, sobre o muito Ele nos colocará (Lc 16.10).
Entretanto, falar em destino não é isentar o homem de sua responsabilidade em responder aos mandamentos de Deus. O mesmo Senhor que ordena sede santos (1Pe 1.16) mostra nossa incapacidade humana de fazê-lo (ou sê-lo) sozinhos (...sem mim, nada podeis fazer... Jo 15.5). Portanto, estas duas afirmações que, a princípio parecem contradizentes, na realidade de algum modo se auto-complementam e nos trazem ao segundo princípio que abordaremos: temos responsabilidade sobre o destino que nos aguarda. Nosso propósito no Reino não acontece de forma involuntária, automaticamente. O Senhor estabelece os planos, cria as oportunidades e nós temos que responder a elas. Com o intuito de estabelecer de forma mais clara estes princípios, vamos nos encontrar com Josué, no momento onde ele estava na liderança dos israelitas e na expectativa para entrar na Terra Prometida.
Moisés havia sido o instrumento escolhido por Deus para libertar Seu povo da escravidão no Egito. Foram cerca de quatrocentos anos, tempo no qual uma nação de aproximadamente três milhões de pessoas floresceu a partir da família de Jacó ( Ex 1.7). Após o saída miraculosa e a passagem pelo Mar Vermelho, foram quarenta anos de permanência no deserto, como resultado do juízo de Deus em resposta à incredulidade do povo frente a revelação divina (Nm 13). Conforme àquilo que o Senhor havia pronunciado, a primeira geração morrera no deserto e a incumbência de liderar a nova geração na conquista da Terra Prometida estava nas mãos do jovem líder. Vejamos então o que nos ensina o relato bíblico, extraindo os princípios ali contidos de forma a aplicá-los em nossa caminhada cristã.
Vale a pena, antes, ressaltar: o destino que o Senhor tem para as nossas vidas é bom. 
Vamos lá?
O livro de Josué começa narrando alguns fatos significativos:
Depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, disse o SENHOR a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés: "Meu servo Moisés está morto; levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, você e todo este povo, preparem-se para entrar na terra que eu estou para dar aos israelitas. Como prometi a Moisés, todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês. Seu território se estenderá do deserto ao Líbano, e do grande rio, o Eufrates, toda a terra dos hititas, até o mar Grande, no oeste”. (Js 1.1-4)
Atente às primeiras palavras do texto: "Depois da morte de Moisés...". Creio que muitos aqui já ficariam paralisados frente a este "aparente obstáculo": a morte de Moisés.  Você consegue imaginar o tamanho do desafio? Suceder o grande legislador? E como se não bastasse, o destino de três milhões de pessoas estava agora em suas mãos. No entanto, Deus é específico em afirmar isso a Josué logo no versículo dois, já chamando ele à ação: levanta-te! Há uma atitude enérgica aqui; a palavra levanta-te (no hebraico qum - קום) tem o sentido dentre outras coisas de "ficar de pé a partir de uma posição prostrada". Com isso, o Senhor estabelece alguns pontos fundamentais com Josué antes de sua jornada:
1) Moisés morrera: ele era o alicerce que até então mantivera o "povo unido" através da Lei. No entanto, o propósito em sua vida havia se cumprido e o Senhor mesmo não permitiu que Moisés fosse o líder na conquista. Interessante pensar que, como Moisés fora o mediador da Lei e não entrou na Terra Prometida - ele apenas a viu de longe (Dt 34 - fato que mais tarde o escritor de Hebreus cita como tendo-as visto de longe (Hb 11.13), pode-se inferir que a Lei não conduziu o povo à Terra, mas sim a fé na promessa. Josué (do hebraico yehoshua - יהושע"o Senhor é a salvação") torna-se então um tipo de Cristo, levando o seu povo à salvação, à promessa divina revelada. A Lei apontara o caminho, mas a fé seria o instrumento de conquista.
(continua...)

sábado, 4 de agosto de 2012

De Camões à Laodicéia...

O que faz com que uma paixão termine?

Biblicamente falando, a paixão possui uma conotação negativa, relacionada à carne e sua inclinação ao pecado. Porém, vamos nos valer deste termo e sua menção àquele sentimento de euforia, quando tudo se torna pequeno diante do alvo de nosso amor.

Lembra-se dos primeiros dias quando conheceu o seu cônjuge? Quando o olhar, o pulsar do coração batiam no compasso dos pensamentos relacionados à pessoa? Não havia dias frios, o calor do sol ou qualquer intempérie que fosse obstáculo para o momento mágico do encontro dos olhares, do toque nas mãos...como já se constatou por aí, quando estamos apaixonados tudo o mais perde valor e importância. Dormir tarde, acordar cedo e outras atividades do cotidiano ficam pequenas frente à avalanche de emoções que inundam o coração e o íntimo do ser.


Como diria Luis de Camões, amor é fogo que arde sem se ver...

Entretanto, é fato certo que este sentimento apaixonado vai aos poucos se esvaindo... a emoção do reencontro se perde à medida que os dias vão passando...e a realidade torna-se mais evidente do que a ilusão que a paixão proporciona.

Bom...até aqui falamos basicamente do relacionamento entre um homem e uma mulher. Porém, em nossa vida espiritual, pode-se experimentar o mesmo sentimento? Podemos estar apaixonados por Deus e depois deixar de apaixonar?

Vejamos então os que nos diz as Escrituras - acompanhe:
“Ao anjo em Laodiceia escreve: ‘Assim declara o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o Soberano da criação de Deus. Conheço as tuas obras, sei que não és frio nem quente. Antes fosses frio ou quente! E, por este motivo, porque és morto, não és frio nem quente, estou a ponto de vomitar-te da minha boca. E ainda dizes: ‘Estou rico, conquistei muitas riquezas e não preciso de mais nada’. Contudo, não reconheces que és miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu! Portanto, ofereço-te este conselho: Adquire de mim ouro refinado no fogo, a fim de que te enriqueças; roupas brancas, para que possas cobrir tua vergonhosa nudez; e compra o melhor colírio para que, ao ungir os teus olhos, possas enxergar claramente. Eu repreendo e corrijo a todos quantos amo: sê pois diligente e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo." Ap 3.14-20
A igreja de Laodicéia recebeu este nome em homenagem a Laódice, esposa de Antíoco II, que reconstruiu a cidade. Ela estava dentre as mais importantes cidades da Ásia Menor, tornando-se uma das primeiras sedes do cristianismo. Laodicéia era uma cidade rica por seu comércio e por suas atividades bancárias e famosa por sua florescente escola médica. Devido a sua privilegiada posição social e poder aquisitivo, os habitantes da cidade se achavam autossuficientes e isso, de algum modo, acabou influenciando a igreja. Esta, então, parecia ser tomada pelo mesmo sentimento de independência. O estado espiritual foi descrito então por Jesus como "morno". Qual a profundidade ou extensão desta descrição? 

Vamos ver isso num segundo momento; antes, é importante analisar os motivos que trouxeram esta mornidão à Igreja - em outras palavras, qual o "estopim" inicial da perda da paixão daquela comunidade ?

" Conheço as tuas obras..." (v.15) - este é o ponto de partida usado por Jesus para se dirigir aos membros da Igreja. Independentemente de quais discursos eram ou não propagados e aceitos aos olhos de todos, o Senhor olhava para as atitudes daquele povo. Antes, Tiago já alertara através de sua carta que a "fé sem obras é morta" (Tg 2.17). Em outras palavras, nossas atitudes frente à revelação bíblica, com consequente mudança de vida fala mais alto do que a nossa retórica. Pode-se fazer aqui uma menção ao conceito hebraico de caminho (דרך dérech), profundamente relacionado ao comportamento (cf Sl 1), que é diferente ao pensamento grego que valoriza o discurso em detrimento das ações (vide os sofistas). Portanto, este conceito hebraico é o ponto de partida - algo familiar aos leitores judeus da carta e, por que não dizer, dos próprios cristãos da época. 

No versículo seguinte encontramos o motivo da apatia espiritual - acompanhe:

"...E ainda dizes: ‘Estou rico, conquistei muitas riquezas e não preciso de mais nada". (v.17)
Em primeiro lugar, observe onde está o foco: neles! A seus olhos, o motivo das riquezas não era a graça de Deus, mas seu próprio esforço em adquirir, de acordo com a cultura local, riquezas. Trata-se realmente de poder aquisitivo aqui, de bens materiais. Nada diferente da cultura hedonista em que vivemos, onde o valor do indivíduo e sua posição social está profundamente arraigado ao que ela tem, e não ao que é. Basta uma passada rápida nos programas de TV populares e lá encontramos "celebridades" que não são referência de nada opinando sobre todo e qualquer assunto. Qual o subsídio de vida, ou mesmo profissional elas possuem? Na grande maioria, basta apenas aparecer da telinha e já se pode sair por aí opinando sobre tudo... De qualquer modo, a Igreja de Laodicéia se achava mais do que suficiente, a ponto de não olhar mais para Deus e dEle esperar qualquer coisa...sutil, não? Aliás, desde que o diabo ofereceu a prosperidade a Jesus em troca de adoração, esta deixou de ser um sinal de aprovação divina...

A apatia originou-se de uma falsa fartura, que criou um sentimento do tipo "não preciso mais de Deus". Perigoso, não? Este é um processo que inicia com um pequeno desvio de foco: o Senhor deixa de ser o centro para dar lugar ao ventre humano.

Isso acabou por trazer uma mudança de valores. Eles se achavam ricos, mas diante do Senhor eram pobres e miseráveis. Na realidade, este é o fruto do processo natural quando trocamos as riquezas celestiais pelas terrenas (ainda que ambas não sejam incompatíveis). Além disso, a apatia trouxe consigo a esterilidade. Eles pararam de dar frutos...

"...E, por este motivo, porque és morto, não és frio nem quente, estou a ponto de vomitar-te da minha boca..." Ap 3.16
Tanto a água gelada quanto a quente possuem suas finalidades (refrescantes, terapêuticas, etc.), porém a água morna para nada serve...o sentido aqui é de ser uma vida útil para o Reino. A a apatia gerara a falta de frutos, e a falta de frutos os faria serem vomitados por Deus. Uma ação divina resultante do julgamento da esterilidade.

Qual seria, portanto, o ponto de virada? O próprio Jesus aponta no versículo 18:

Portanto, ofereço-te este conselho: Adquire de mim ouro refinado no fogo, a fim de que te enriqueças; roupas brancas, para que possas cobrir tua vergonhosa nudez; e compra o melhor colírio para que, ao ungir os teus olhos, possas enxergar claramente.
Jesus! Ele é a fonte das riquezas do Reino, de uma vida santa e justificada. A Igreja é convidada a voltar-se à Cristo, voltando a ajustar sua leitura acerca da realidade. Em Jesus temos uma vida com cada coisa em seu devido lugar, inclusive a nós mesmos. É o velho pecado do orgulho. O motivo de toda a correção é o fato de termos sido adotados (Rm 8.23) e nosso Pai certamente usará quaisquer meios que julgar necessários para nos "colocar nos trilhos". Isso é doloroso? Sim, na maioria das vezes. Ninguém gosta de ser confrontado, corrigido...porém, perceba uma nuance desta verdade: a certeza de um amor que não nos abandonará, e que sempre agirá ativamente a fim de nos aperfeiçoar como filhos de Deus, nos conduzindo no processo de santificação e glorificação. Isso não depende de nós, em última instância, mas da graça de Deus que nos dá a certeza da salvação! Que verdade maravilhosa! (Rm 8.28-30; Ap 3.19; Jo 10.27-29)

Qual o resultado da ação deste "amor que corrige"? O mesmo quadro que vemos na ocasião da ceia com os discípulos, da refeição na praia com o desconfiado Pedro, ou ainda do peregrino Abraão ao receber em sua tenda o Senhor - íntima comunhão.

Desfrute disso! Seu amor nunca falha... ouça Seu chamado e sente-se à mesa do Senhor...

NAquele que nos conhece pelo nome,

Daniel



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O desafio de Abrão


E começamos 2012...

Nos corações e mentes existem os mais diversos sentimentos. Existem os animados e esperançosos por um ano melhor; há os indiferentes, para os quais só mudou mesmo a contagem do calendário e os desanimados, cuja descrença os acompanhou depois do feriado. 

Pensando nisso, este primeiro texto de 2012 trata de algo bem comum e aos mesmo tempo "ignorado" pela grande maioria. Coloquei ignorado entre parênteses de propósito, pois o sentido aqui é de que sabemos do que se trata, mas o ignoramos mesmo assim. E o prejuízo é só nosso...então, vamos ao assunto! O texto a seguir é bem conhecido para muitos e, por isso, alguns detalhes podem passar despercebidos...vejamos:

"Então disse o Senhor a Abrão: Saia da tua terra, do meio da casa de teu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei" Gn 12.1

É o famoso texto da chamada de Abrão, conhecido como o pai da fé. Dentre tantos motivos, gostaria de destacar um em especial, algo que antes não havia notado e que corrobora sua grande fé no Todo-Poderoso.

Antes disso, peço que leia com atenção o versículo acima. Agora, mais uma vez. Notou algo "estranho" ali? Algo diferente? Notou o contraste de informações? Se ainda não, raciocine comigo...

Ruínas de Delfos
O ser humano é curioso por natureza. Desde sua queda, o futuro certo que havia junto ao Pai foi lhe tirado, restando apenas a certeza da morte e do retorno ao pó. Assim, já há muito tempo o homem tenta, de algum modo, "prever" o seu futuro. Encontramos nas diversas civilizações do passado menções a profetas e oráculos, como o de Delfos na Grécia antiga. A pergunta ancestral sempre rondou nas mentes e corações humanos: O que me reserva o amanhã? 

Mesmo no meio cristão, os "profetas" parecem gozar de certa popularidade, e quem não fica ansioso quando Deus realmente se manisfesta no meio de Seu povo (ainda que não somente por profetas)? Quem não gosta de ouvir uma palavrinha do Pai sobre seu futuro que atire a primeira pedra...

Enfim: o ponto em questão é que todos, em maior ou menor grau, pensam sobre o amanhã. Claro, existe o planejamento (orçamentário, acadêmico, profissional, familiar) sadio, onde mensuramos os alvos e os passos que daremos para chegar lá, e também sonhamos sim com o amanhã. E porque não? Isso é saúde para nossas almas! É ótimo sonhar, planejar, mas...

(esse mas sempre nos incomoda)

O fato é que não temos controle nenhum sobre o amanhã. Nenhum. Planejamos, agimos, guardamos, gastamos, investimos...e nada disso pode sequer garantir que estejamos vivos amanhã. Aliás, existem diversos textos bíblicos que tratam do assunto:

"Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará suas próprias preocupações. É suficiente o mal que cada dia traz em si mesmo" Mt 6.34

"Agora, prestai atenção, vós que aclamais: "hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá nos estabeleceremos por um ano, negociaremos e obteremos grande lucro".Contudo, vós não tendes o poder de saber o que acontecerá no dia de amanhã. Que é a vossa vida? Sois, simplesmente, como a neblina que aparece por algum tempo e logo se dissipa" Tg 4.13-14

Interessante... mais ainda quando seguimos o texto e encontramos isso:

"Em vez disso, devíeis afirmar: se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo.  Entretanto, estais agora vos orgulhando de vossas capacidades. E toda vanglória como essa é maligna"  Tg 4.15-16

Impressionante! Tiago aqui diz que não devemos planejar? Não! Mas é maligno confiarmos nosso futuro apenas em nossa capacidade e nossos talentos. Capacidade aqui, no grego, é (αλαζονειας - alazoneia), com o sentido de "alguém que confia em seu próprio poder e recursos; arrogância; confiança na estabilidade das coisas terrestres", segundo Strong's. O quadro é claro: existe uma tensão entre a "pretensa" autonomia humana caída e a soberania de Deus. E sabemos muito bem que dá a última palavra... Portanto, qual a cura para esta vanglória maligna? Reconhecer a soberania de Deus, conhecê-lo e, pela fé, confiar nEle. E isso, claro, não é assim tão fácil como parece.

Tenha em mente a natureza depravada do homem e sua luta de independência em relação à Deus. Lutamos inconscientemente contra a dependência. Queremos sempre as coisas do nosso jeito, mesmo cantando músicas que falem o contrário. Por isso, somos tão dependentes da graça de Deus que nos transforma e muda nosso coração de pedra em carne (Ez 11.19). Se fôssemos depender apenas de nossa vontade, estaríamos perdidos!

Então, qual o desafio neste ano que inicia? Aceitar o desafio de Deus a Abrão - leia novamente o texto:

"Então disse o Senhor a Abrão: Saia da tua terra, do meio da casa de teu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei" Gn 12.1

Atente às duas informações contida aqui: 


1) a especificidade naquilo que Abrão deveria deixar para trás: sua terra, sua família e a casa de seu pai.

2) a generalidade para onde Abrão haveria de ir: para uma terra que te mostrarei.

Isso não nos deixa nada confortáveis, não é? Preferiríamos o contrário, tipo: "Abrão, sai do lugar onde estás e vá para Canaã, na região norte, na cidade tal, bairro tal, e procure a casa na rua Jó e vá até a casa amarela da esquina". 

Ficamos nervosos, desatentos... perdemos a fome e corremos para todos os lados. Mas isso de nada adianta. Quanto antes aceitarmos o fato de que escutamos o que precisamos, e não o que queremos mais fácil será a jornada. O ponto é a especificidade de Deus naquilo que devemos abandonar. Sejam vícios, estruturas de pensamento, hábitos, lugares, pessoas...o fato de sermos filhos de Deus, pela fé em Cristo, nos habilita em sermos agregados à família de Deus e sermos transformados à imagem do Filho(Rm 8.29). Então, meu irmão, não adianta tapar os ouvidos: todos nós ouviremos de Deus o que precisa ser deixado para trás.

Aqui entendo o título de  pai da fé dado à Abrão. Ele foi o primeiro a encarar o desafio e aceitá-lo. Ainda que tenha levado Ló (quando deveria ter partido sem familiares), ele confiou que Deus era poderoso o suficiente para cumprir Sua Palavra. Deixou aquilo que lhe trazia segurança e partiu, tendo somente a garantia de que Deus estaria com ele. O resultado nós sabemos...Deus o prosperou em todas as áreas, e de sua semente veio o Messias.

E quanto a nós? Algumas lições parecem claras:

1) Planejar é sadio e correto - confiar em nossa capacidade não: é interessante isso, mas tudo que fazemos deve ser acompanhado de "se for da vontade de Deus". Isso nos faz lembrar quem somos e quem Deus é - acabando com todo orgulho que, no fim das contas, nos abate. Lembre-se que Deus resiste aos orgulhosos...

2) A ordem é clara quanto ao que deve ser deixado para trás: eu e você sabemos muito bem o que deve ser abandonado. Sejam hábitos, vícios, lugares, pessoas...e não adianta nos enganarmos a respeito disso. O prejuízo de ignorar isso é só nosso.

3) Há um chamado de caminhar com Deus, pela fé: Deus não nos mostrará o futuro. Não adianta correr atrás de profetadas  e coisas afins. Pode ser que eventualmente recebamos algum vislumbre, mas os detalhes são somente dEle. Isso é de propósito, pois saber o que irá acontecer no futuro não é viver pela fé/fidelidade. E a única estrada trilhada pelo cristão chama-se . Não há atalhos nem desvios. Aceitar essa realidade só nos ajudará no processo...

Bem...o fato é que nossos planos e sonhos podem se concretizar. Ou não. Tudo depende da vontade soberana de Deus - afinal de contas, em nós está Seu querer e realizar (Fp 2.13) e nenhum de Seus planos podem ser frustrados (Jó 42.2).Isso não quer dizer, claro,  que todos os nossos planos vem de Deus...isso só em oração podemos discernir. Portanto, que possamos viver menos ansiosos este 2012, crendo nos planos eternos do Pai (que certamente se cumprirão), e assumindo nossa responsabilidade de obedecer à voz do Espírito e abandonar tudo aquilo que foi ordenado por Ele.

E aproveite a viagem! Contemple a vista! 

Todo o trabalho é dEle!

Solideogloria

Daniel

(ouça este clássico)


domingo, 25 de setembro de 2011

Tem saída um beco sem saída?

As crises....

Como uma torrente repentina de águas, um vento impetuoso que chega sem avisar...ou mesmo quando sabemos das consequências de nosso atos, mas no íntimo torcemos para que, de algum modo, possamos acelerar o tempo ou evitar encarar a crua realidade prestes a nos tomar de assalto. E a sensação de impotência só tende a aumentar... os minutos se transformam em horas, e cada movimento do relógio parece denunciar a sombra que lentamente recai sobre nós...

As crises...

Algumas são imprevisíveis como um ladrão na noite, prestes a se abater sobre sua vítima. E de uma hora para a outra, passamos a lutar com um intruso que procura roubar a nossa rotina, ocupando nossa mente com sua incômoda presença. De certo modo, muitas vezes parece ser mais fácil (se é que isso é possível) lidar com situações assim. Ninguém, debaixo do sol (como diria o rei Salomão) está isento de algo dessa natureza.

Mas e quando somos nós quem provocamos as crises, onde a mente torna-se obsessiva ao recordar os momentos antes de determinadas atitudes? Quando nossos pensamentos rodam em torno do "E Se...."? Sim, a situação torna-se, na maiorias das vezes, insuportável.

Em certa ocasião, o rei Davi, após longo período de guerras e vitórias, resolve relaxar sua rotina e, ao invés de sair à guerra como sempre fizera, resolve ficar em casa. "-Vá Joabe...vença por mim e me traga os despojos da guerra..". Esse invariavelmente é o começo de muitas crises - deixamos de lado nossas responsabilidades e permanecemos onde não deveríamos mais estar. O lugar de Davi era na guerra, mas ele resolve ficar em casa. Do mesmo modo, quantas vezes relaxamos demais com as nossas obrigações? Deveríamos estar trabalhando, mas jogamos paciência no computador...um sofá e uma TV ao invés de estudar... achar que a escola ou a igreja tem o papel disciplinar e ensinar os filhos, enquanto estamos ocupados demais conosco mesmos... deixar para terapeutas resolverem nossos problemas conjugais, e não tomamos providência alguma, a não ser pagar o analista...

O resultado da omissão de Davi? Uma mulher que não era sua esperando um filho seu, um de seus leais soldados assassinado por ordem dele mesmo, e o sangue derramado que cobraria um alto preço em sua casa.

As crises...

Vejamos o que acontece em seguida:

"E buscou a Davi a  Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra: então os anciãos da sua casa se levantaram e foram ter com ele, para o levantar da terra: porém ele não quis, e não comeu pão com eles". 2Sm 12.16-17

O que se passava na cabeça de Davi? Teria ele revivido os momentos no terraço, onde contemplava aquela mulher? Quem sabe rememorando os momentos anteriores à ordem para a trazer diante de si...ou o conselho ignorado de Joabe (ela não é sua mulher, mas de Urias...)... Quantas vezes já nos sentimos assim, olhando no espelho e pensando: se ao menos....eu não atendesse aquele telefonema, ou não retribuísse o olhar...ou não aceitasse o suborno...ou não cedesse à pressão da maioria... Se ao menos...

Mas o fato é que, depois de confrontado pelo profeta Natã (cerca de 12 meses depois do fato) lá estava ele,enfrentando a realidade da sentença de morte que pairava sobre a criança e diante dAquele que poderia realizar o milagre. 

Interessante a atitude dos servos, apreensivos sobre o que fazer com o rei. "Será que podemos ajudar em algo? Quem sabe possamos fazer alguma coisa para amenizar sua aflição"...porém o rei prontamente recusa qualquer ajuda. A dor é grande o bastante para lhe roubar o sono, a fome e a companhia de seus amigos. Natã, seu conselheiro, profeta e amigo não aparece na cena. Ninguém estava em condições de ajudar Davi, assim como também estamos muitas vezes sozinhos em momentos como esses. Por mais bem intencionadas que sejam, a ajuda que precisamos não é humana, mas divina. E precisamos encarar isso de frente, pois tal atitude pode evitar um desastre maior ainda. Aliás, o que poderia ser pior do que contemplar os efeitos de nossas falhas?

Creio que perder a e a esperança...

Mas não vamos adiantar o assunto...vejamos o desenrolar da cena:

"E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança era morta, porque diziam; Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como pois lhe diremos que a criança é morta?Porque mais mal lhe faria. Viu porém Davi que seus servos falavam baixo e entendeu Davi que a criança era morta, pelo que disse Davi a seus servos: É morta a criança? E eles disseram: é morta" 2Sm 12.18-19

Chega então a notícia de que a criança havia falecido. Nada mais se podia fazer. Que atitude nos sobra em situações assim? O grande perigo aqui é deixar-se arrastar ainda mais para o fundo do poço. O coração pode tornar-se cheio de medo e culpa e o amanhã passa a ser um quadro negro sem perspectiva alguma. Muitos aqui tornam-se tão amargurados consigo mesmos e com a vida que chegam ao ponto de não suportarem nem mais respirar, e acabam tirando sua própria vida. Realmente, o quandro é desesperador. 

Mas há outro caminho...observe a atitude de Davi:

"Então Davi se levantou da terra, se lavou, e se ungiu, e mudou de vestidos, e entrou na casa do SENHOR, e adorou: então veio a sua casa e pediu pão; e lhe deram pão e comeu". 2Sm 12.20

Impressionante! Ao invés de declarar luto oficial no reino, de lamentar com todos ou se esconder em alguma caverna no deserto, Davi se levanta e retoma sua rotina! E quem, na rotina do salmista, recebe a "primeira visita"?

O Senhor! O Grande Pastor, fonte de inspiração em tantos momentos de oração...aquele mesmo que o havia adestrado na guerra, o treinado no anonimato e o chamado para pastorear a nação de Israel. Antes de suprir suas necessidades físicas (pois estava em jejum), Davi procura seu Pastor e o adora  - a palavra hebraica aqui traz a ideia de que ele se prostra diante de Deus - numa atitude de submissão à Sua vontade. "Certo, Senhor...se é Sua vontade levar a criança, eu aceito, certo de ter feito tudo o que pude por ela. Mas a vida continua...e vou tratar de vivê-la da melhor forma que O agrade"... Isso nos leva ao próximo ponto: prosseguir com a vida...

Claro que não é fácil. Falar de um fato como este e vivê-lo em sua intensidade são coisas bem diferentes. Porém todos nós, em maior ou menor grau, passamos por momentos assim. Talvez o que esteja diante de você não seja um inocente correndo risco de morte, mas os papéis de divórcio que chegaram pelo correio. Ou a ordem de despejo, os papéis da falência, a carta de demissão...de algum modo a crua realidade senta-se ao seu lado, com uma pergunta nos lábios: "e agora"? O que vai fazer daqui para frente?

Veja o que Davi fez:

"E disseram-lhe seus servos: que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a criança te lavaste e comesse pão. E disse ele: vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe ainda o SENHOR se compadecerá de mim, e viva a criança? Porém, agora que ela é morta, porque jejuaria eu agora? Poderei eu fazê-la mais voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará a mim" 2Sm 12.21-23

Eu fico impressionado com a postura de Davi. Sua visão clara dos fatos é extraordinária. Ele sabe que nada mais pode fazer pela criança. Veja como uma compreensão clara de como a vida funciona traz um discernimento que é importantíssimo em momentos de crise. Ele sabia certamente do que, há algum tempo, Deus havia falado a respeito de Saul ao seu antigo mentor, Samuel:

"Então disse o SENHOR a Samuel: até quando terás dó de Saul, tendo eu o rejeitado, para que não reine sobre Israel? 1Sm 16.1a

A sutil armadilha aqui é se lamentar e jogar as âncoras de sua vida no passado. Assim como Samuel se lamentava do fato de Saul ter sido rejeitado por Deus como rei, ao invés de procurar onde Deus faria sua próxima ação, também ficamos "ruminando" coisas, fatos e pessoas que passaram por nossas vidas. E na grande maioria das vezes são situações onde sonhamos com alguma coisa bem diferente daquilo vivenciado no hoje. Se eu estivesse neste emprego...morando naquele lugar....não tivesse deixado de lado a fé...se eu continuasse por mais um pouco...

Davi podia ter caído em qualquer uma dessas armadilhas, mas não. Ele tinha um conhecimento suficiente do caráter de Deus para interromper os planos em sua vida. Qual era mesmo o seu chamado? Ser o pastor de Israel - o rei. Pois mesmo diante de tal tragédia familiar, ele faz o melhor que pode. Enfrenta a realidade como ela é, e não se esconde atrás da depressão ou deixa-se iludir com qualquer coisa. 

Poderei eu fazê-la mais a voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará a mim... aqui está a chave! Quanto tempo jogamos fora insistindo que coisas que já foram, que não voltarão? O melhor a fazer é juntar os cacos do que sobrou e continuar a viver o plano de Deus...veja o que fez Davi:

"Então consolou Davi a BateSeba, sua mulher e entrou a ela, e se deitou com ela: e teve um filho, e chamou seu nome Salomão: e o SENHOR o amou". 2Sm 12.24 (grifo nosso)

Observe que Davi toma BateSeba por sua mulher, assumindo a responsabilidade sobre ela; ele não a rejeitou, mas a consolou e deu continuidade a sua vida. Creio que temos aqui um claro indício de como Davi administrou bem aquela situação ao nomear seu próximo como Salomão(שלמה). A raiz hebraica deste nome (a mesma da palavra שלום shalom), que tem o sentido, segundo Strong's de terminar ou completar algo; entrar num estado de integridade e unidade, de participar de um relacionamento restaurado. Em seus dois atos finais aqui, percebemos duas atitudes vitais: assumir as responsabilidades (ou se posicionar), o qual foi o estopim de toda esta situação (lembre-se de que ele deveria ter ido à guerra) e fechar o ciclo. O que importava era o que aconteceria dali em diante. Deus mesmo o havia ensinado a viver desta forma, desde o tempo em que pastoreava as ovelhas de seu pai, Jessé.


Portanto, ao fim desta leitura específica da vida do "matador de gigantes", algumas lições devem ficar gravadas em nossos corações:

1) Nunca abandone sua posição: seja no lar, no trabalho ou nos relacionamentos que possui. Muitas vezes o  marido é displicente com suas responsabilidades, sobrecarregando a mulher e os filhos; ou  a esposa não entende que nas suas mãos está a escolha de edificar ou não seu lar (Pv 14.1). Há uma posição que, se abandonada ou desprezada, traz consigo sérios danos que podem se estender por gerações.

2) Procure ajuda no lugar certo: Davi sabia que só havia um lugar onde buscar socorro: o SENHOR. em determinadas situações, nenhuma pessoa pode nos ajudar. A Palavra promete ajuda em tempo oportuno (Hb 4.16) e ir diretamente à fonte é certeza de esperança ao invés do desespero.

3) Não seja ingênuo, mas faça a leitura correta dos fatos: Davi conhecia Deus o suficiente para poder se firmar em crises como essa. Ele sabia que a criança só viveria se Deus agisse, e buscou isso com tudo o que pode. Mas assim que soube da resposta de Deus, não O culpou, nem aos outros. Ele fez o que melhor podia fazer com tudo aquilo, e seguiu em frente - exatamente o que nos leva à próxima lição:

4) Submeta-se à sabedoria divina: com certeza, não entendemos muitos das ações divinas, pois nossa visão acerca dos fatos é muito limitada. Independente do que fosse acontecer, Davi confiava o suficiente em Deus para aceitar que os caminhos do Pai eram mais altos que os seus. Então, não lute contra Ele, mas aceite com um coração contrito que Deus sabe o que faz. Nós não.

5) Continue em frente: Davi não abandonou seu chamado de ser Rei sobre Israel. Ele, como Paulo escreveria anos mais tarde, esqueceu das coisas que para trás ficaram e avançou para as que estavam diante dele (Fp 3.14). Davi consolou BateSeba e teve outro filho com ela. E aqui temos o ponto final de tudo. O nome que ele deu ao menino, Salomão - como um marco final da crise existente em sua vida. Isso estava tão vívido em seu interior ao ponto de, sempre que porventura as acusações passadas viessem a ele, Davi podia olhar para seu filho e lembrar: aquele ciclo terminou...eu hoje continuo vivendo o chamado que recebi do Senhor, e vou continuar a fazer o melhor que posso para agradar o meu Pai Celestial...

Que os Salomões possam nascer em nossas vidas! 

Em Cristo, 

Daniel









quarta-feira, 19 de maio de 2010

Crescendo na fé





"Portanto vós também pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude, a ciência, e à ciência, a temperança, e à temperança, a paciência, e à paciência, a piedade, e à piedade, o amor fraternal, e ao amor fraternal, a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo." 2Pe 1.5-8

Existe um ponto basilar e comum a todos nós em nossa caminhada como discípulos de Jesus: a . Sem fé não podemos agradar a Deus (Hb 11.6), e nem ao menos desenvolver qualquer intimidade com o Pai. Mas haveria algo mais? A fé é o ponto de chegada ou de partida?
Conforme nos ensina a Palavra, a fé é o ponto inicial de nossa jornada espiritual. O Senhor espera que todos nós cresçamos não somente na fé, mas também em maturidade e conhecimento dEle. Para tal, algumas coisas são indispensáveis neste processo, e o versículo acima nos mostra o caminho. A primeira coisa a somar à fé é a virtude (gr. αρετη/areté), que significa “conduta virtuosa de pensamento, sentimento e ação”. Em outras palavras, os frutos de uma fé genuína é traduzida então em atitudes práticas. Afinal de contas, fé não é pensamento positivo, mas uma resposta à Verdade da Palavra. Esta resposta exige uma atitude correspondente. 
Seguido à virtude, encontramos a ciência (gr. γνωσις/gnosis) com o sentido de “inteligência, conhecimento e sabedoria moral”. Em outras palavras, uma fé madura traz consigo entendimento espiritual, conhecimento da Palavra e de Sua aplicação. Infelizmente, observamos hoje as mais diversas distorções e heresias provindas de interpretações errôneas, coisas já preditas pelos profetas nestes tempos do fim. Portanto, urge em nossos dias cristãos inteligentes e sábios na compreensão corretas das Escrituras. Somado a isso, é necessário a temperança (gr. εγκρατεια/egkrateia) que significa “autocontrole, força e robustez”. Portanto, aqui temos uma fé que não se abala pelas circunstancias, nem é influenciado por elas. Encontramos aqui não uma fé emocional, mas racional e sólida na Palavra, e não mais influenciada por fatos que rodeiam o cristão. Este tipo de culto agrada o Senhor!(Rm12.1).
Uma fé madura, que cresce no propósito também precisa de paciência (gr. υπομονη/hupomone), com o sentido de “estabilidade, constância, tolerância”. Portanto, um cristão estável, constante e tolerante não só com a imaturidade de outros, mas perdoador e conciliador. Afinal de contas, nossa luta não é contra carne e sangue, mas espiritual! É imprescindível um coração limpo e livre de mágoas se queremos experimentar uma vida plena com Deus! E o caminho é o perdão! Além disso, devemos somar à nossa fé a piedade (gr. ευσεβεια/eusebeia), que significa “fidelidade e respeito a Deus”.  Novamente, o aspecto de fidelidade é ressaltado. Lembre-se de que não há fé sem fidelidade! A fé tem que dar obras, e obras de fidelidade! 
Finalmente, encontramos o amor fraternal (φιλαδελφια/Filadélfia) e a caridade(αγαπη/agapao). Ambas se traduzem em “amor cultivado uns pelos outros, respeito pelo próximo, receber com alegria, satisfação e benevolência”. Como podemos perceber, o resultado final da fé é o cumprimento do resumo de toda a Lei: amar a Deus acima de todas as coisas, e amar ao próximo como a nós mesmos(Mc 12.29-31). Não um amor empírico e teórico, mas prático e palpável. É deste tipo de fé que precisamos: uma fé madura, que modifica nosso interior, nos torna mais íntimos do Pai e que se torna a cada dia um veículo poderoso do amor de Deus.
Naquele que é o Autor e Consumador da nossa fé,
Daniel Ben Iossef

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A fé e o ouro...





Isaías 46:10 Que anuncio o fim desde o princípio e desde a antiguidade as cousas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade;


Shalom, amados!


Interessante pensar neste texto de Isaías....que Deus conhece o fim desde o princípio.Aliás, eu penso que Ele só criou o começo porque conhecia o fim de tudo.


Mas no que isso pode influenciar nosso dia-a-dia, nossa vivência diária?



Bom, existe um texto, dentre muitos, que sempre falou profundamente comigo:



Efésios 2:10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.




Assim, segundo Paulo, todo ser humano tem uma “carreira espiritual”. Por isso, o tempo de preparo para tal não é de nenhuma forma desperdiçado por Aquele que nos criou.



E para tal treinamento, uma ferramenta é indispensável: a fé.



Oberve:



1 João 5:4 Porque todo o que é nascido de Deus, vence ao mundo; e esta é a vitória que vence ao mundo: convêm a saber, a nossa fé.



Assim, algo que todos nós devemos possuir é uma fé que vence o mundo.E como esta fé pode se desenvolver?Como Deus faz para purificar esta fé em nós?



Ao estudarmos a vida de José, aprendemos algo importantíssimo, que se não observado, pode nos fazer dar voltas em círculo, e não caminhar rumo ao nosso alvo.



Eis, então, um pequeno resumo da vida de José, sob uma perspectiva humana:



- era o caçula dentre seus irmãos.
- Seus irmãos o tratavam mal, por ser o preferido do papai...
- Era ingênuo: contou seus sonhos aos seus irmãos.
- Seu pai o manda até seus irmãos
- Seus irmãos o queriam matar, mas acabaram o vendendo como escravo.


- no Egito, foi vendido a Potifar
- José foi promovido a administrador dos negócios de Potifar
- A mulher de Potifar o acusa
- José vai parar na prisão (2anos)

- na prisão, ele foi feito administrador da prisão
- ele interpreta os sonhos do copeiro e do padeiro
- o copeiro se esquece de José.


José interpreta o sonho de Faraó
Ele se torna governador do Egito


Sua família sofre com a fome
Sua família vai para o Egito
Sua família é salva por José.



E agora, analise comigo a perspectiva divina de sua vida:



Salmos 105:16 Chamou a fome sobre a terra; fez mirrar toda a planta do pão.



-Deus sabia que haveria fome sobre a Terra; afinal, Ele conhece o fim desde o princípio.Assim, a linhagem da qual viria o Messias deveria ser preservada.E o que Deus faz?



Salmos 105:17 Mandou perante eles um varão, que foi vendido por escravo: José,


- José precisava ser treinado, formado para ser o administrador do Egito.
- Deus queria forjar o caráter de José
- José precisava estar treinado tanto na fartura, quanto na escassez


E onde José aprendeu a administrar a fartura?


NA CASA DE POTIFAR


E onde José aprendeu a administrar a escassez?


NA PRISÃO


Pergunta: será que José tinha uma fé que vencia o mundo?


1 Pedro 1:7 para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória quando Jesus Cristo se manifestar


Temos aqui a figura de uma fé que é provada como o ouro....no calor...uma fé que, colocada no fogo, no cadinho, a faz ser purificada de qualquer impureza ou interferência.Assim como se purifica o ouro...


Mas o que teria refinado, provado a fé de José?


Teria sido...


A traição de seus irmãos?


A esposa de Potifar?


Os altos e baixos na sua vida?


A rejeição que sofreu?

NÃO!

Veja bem...

Salmos 105:19 Até ao tempo (et) em que chegou a sua palavra; a palavra do SENHOR o provou (tsarap).



A palavra estava sempre diante dele!


A cada passo que dava, quando parecia mais improvável que ela se cumprisse;


Destaco aqui as seguintes palavras hebraicas do texto...então, vejamos:


Et: tempo determinado; estação.


Tsarap: fundir, refinar, testar – raiz da qual temos as palavras hebraicas: tsorpi (ourives) ; matsrep ( crisol, cadinho).


Assim, no tempo exato, o Senhor prova e refina a fé de José, ao ponto de ele finalmente estar apto a se tornar o segundo homem mais poderoso da época;


Quando Deus nos fala de um propósito Seu, e os dias se passam sem que Ele os cumpra, esse tempo de espera é verdadeiramente difícil; mas essa disciplina de fé nos trará a um conhecimento de Deus a que não chegaríamos de nenhuma outra forma.


E nós amados...temos desanimado, murmurado por não entender os propósitos de Deus para nós?


Quantas vezes não entendemos a discrepância entre a Palavra que nos foi dada, e as circunstancias que nos cercam?


Devemos sempre lembrar que Deus não tem pressa...mas Ele é meticuloso em nosso treinamento, e Seu objetivo é nos tornar “mais do que vencedores”!!!

E é este tipo de fé, que vence o mundo, muito mais preciosa do que ouro, que o Senhor quer ver atuante em nossas vidas!



No Messias,


Daniel Ben Iossef